sábado, 31 de dezembro de 2011

Bênção de ano novo


Que o Deus criador
nos dê a bênção
de criar novos momentos
de vida e alegria em nossas vidas.

Que Jesus Salvador
nos acompanhe
em cada passo, alegre e triste,
para juntos transformarmos
nossas vidas.

Que o Espírito Santo
avive em nós
a chama da vida
para que, em comunidade,
semeemos o amor.

Ano novo, vida nova
no Pai, no Filho
e no Espírito Santo.
Amém!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

MÃOS


Mãos
Aveludadas
Acariciam
Cuidam
Mãos no extremo
De um abraço
Mãos que exprimem
No gesto, no trato
A doçura do amor
Somente as Tuas
Me seguram
Protegem
E sustentam
Sou
Moldada em Tuas mãos.

© Florbela Ribeiro

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

PASTORES

na Arcádia ou em Belém Efrata
os pastores tangem lira
tangem as cordas tensas
do céu,
tangem estrela a estrela
as notas
que formam ondulações
na lã

na Arcádia ou em Belém Efrata
em serras e vales crespos tangem flauta
e articulam os primeiros versos
do poema do fim da tarde
deixando que o sol ao pegar fogo
entoe os últimos

na Arcádia ou em Belém Efrata
os pastores de mãos manchadas de leite
criam salmos lestos
ao nascer de um cordeiro

27/12/11

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Uma Pequenina Luz

Uma pequenina luz bruxuleante
Jorge de Sena


Uma pequenina luz ao longe
levíssima toca
a íris dos meus olhos, está lá
franca, límpida e sensível
à clara neblina
não é ainda a prata da aurora

Uma pequenina leve
luz ao longe
faz um buraco na treva

Avoluma-se e vem
como o dia desejado, o chão
que nos enche sob os pés
este vazio

Não é abismo, essa luz
pequenina luz ao longe
é um pequeno resíduo
de humanidade
uma estrela, a alva
espuma de uma praia

Não é ainda o mar, nem o azul
é uma pequenina leve luz
de longe, a despertar-nos.

10/11/2009

J.T.Parreira

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Os que vêm nos camelos, navegam na Luz branda

(He Qi, artista chinês cristão)

Os que virão nos camelos”
Jorge de Lima


Os que vêm nos camelos
navegam na luz branda do luar
têm visões no deserto
quando o sol derrama no horizonte
as águas ilusórias
também bebem
dos espelhos da água mais profunda
vêm de vales estuantes
os que virão nos camelos
quando a viagem terminar os seus vestidos
serão trapos do tempo, não importa
pois trazem presentes
e seguem a estrela indispensável
e vão em busca da glória
do Menino.

13/12/2011


Poema Inédito de J.T.Parreira

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

ORFEU'N BLUES



pela galeria do metro vai
Orfeu
em busca da sua Eurídice
tê-la-á deixado cair
para ser tragada pelo torvelinho
do ar frio que se instiga
lá de cima da rua?

procura-a na galeria
na luz mole
dos olhos que reviram
desdém
procura perceber nos magotes
de vozes um silêncio
que soe à voz de Eurídice

por isso Orfeu toca o saxofone
como um bailarino em busca do seu par

Orfeu estende o som
na busca lança-o da galeria
para a escadaria e desta para o túnel
estende-a e recolhe-a
no chegar e no partir
de mais uma composição
tão paciente e tão flexível
a busca e tanto lhe dói e queima a boca
que cada sopro no saxofone
é a pronúncia do nome

Eurídice
Eurídice
Eurí-dice
Eu-rí-di-ce

Orfeu toca para Eurídice ouvir
toca uma marcha lenta
uma modinha cega

13/12/11

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Véspera de Natal



Um dia igual a tantos outros, ou talvez não
Observem o que cidade transmite aos nossos olhos:
Sombras que deslizam e máquinas que correm
Para a sua própria glória.
Os cotovelos das pessoas têm pressa
E os passeios são buracos de agulha
Para um vaivém constante.
Entre os cumprimentos de cortesia habitual,
Trocam-se os votos de um Feliz Natal.
E eu, seguindo à risca o rito,
Repito a saudação que à D. Gertrudes cabe
- Vendedora do mercado para lá de quarenta anos,
Que em resposta diz que a celebração jamais será feliz.
Intrigada, paro mesmo ali, na torrente da calçada
E fito-lhe o rosto envergonhada:
- Meu Deus…como a pobre mulher envelheceu,
Ainda não me tinha apercebido que o sorriso
Deslumbrante
Que a cada manhã lhe emoldurava o rosto
E brilhava na praceta, então murchara
E no olhar outrora luzidio pairavam névoas...
Questionei a razão daquele desabafo
E a descrição que ouvi petrificou-me
O amigo e companheiro de jornada
Há 10 meses que a abandonara
E até o pequeno Tareco morrera
No mês passado atropelado
- São os desígnios do Alto… suspirou a conclusão.
Atónita, lamentei o sucedido e em seguida censurei-me:
- Como foi possível não me ter apercebido de nada
Em tantos meses?
Só que a agitação da vida é mesmo assim,
O constante corre-corre, não nos permite dar
Atenção a nada nem a ninguém...
Mas… será esta a verdadeira conclusão
Ou seremos antes nós que nos tornamos insensíveis
Á imprevista dor alheia?
Àquela dor que de tão perto nos rodeia
E que, por uma razão ou outra,
Não vemos ou nos recusamos a ver?
Sem mais delongas, abracei a sua mágoa
E esqueci-me da pressa
Dos compromissos, das horas marcadas
Da vida, da minha própria vida
E de consciência desperta e arrependida
Despi-me do meu hábito usual
Despojei-me da hipocrisia
Até do comodismo,
Da indiferença
E da apatia…
E choramos unidas num abraço.
Ela, pelo infortúnio, pela saudade
Eu, de tristeza ao recordar o mandamento:
“Ama o teu próximo como a ti mesmo”.
Quebrantada e arrependida agradeci a Deus
Que na Sua misericórdia excelsa
E imérita bondade
Fizera renascer em mim
O espírito verdadeiro do Natal.


Dezembro de 2010

Florbela Ribeiro


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Os Ossos do Poeta


(Foto: Lugar onde alegadamente se encontram os restos mortais do Poeta, em Granada)


Federico Garcia Lorca não pôde morrer como desejava. “Cuando yo me muera, / enterradme com mi guitarra / bajo la arena.”

A percepção da morte próxima no Poeta granadino acompanhava-o, sobretudo no início da década que viria a ser a do Grande Crime da Espanha franquista. Saberia ele que o pressentimento “é a sonda da alma no mistério”, nariz do coração e bengala de cego, “que explora en la tiniebla del tiempo”.

La muerte me está mirando

desde las torres de Córdoba

Ay que la muerte me espera,

antes de llegar a Córdoba”.


Não obstante esse desejo e este olhar poético, diria um olhar muçulmano da morte sobre ele, Lorca escreveu que “um morto em Espanha está muito mais vivo enquanto morto que em qualquer outra parte do mundo: o seu perfil fere como lâmina de uma navalha de barba”.

É o caso de Lorca, apesar do seu rosto, desenhado por Salvador Dali, ferir, não tanto como lâmina, mas como um tumulto.

Desde logo, a partir das Canciones e do Romancero Gitano (traduzido e apresentado em finais de Setembro passado em Londres sob o título Gypsy Ballads) ao teatro, com duas peças que são lâminas: Yerma e Bodas de Sangre,duas peças de culto, míticas no que recuperam da tragédia grega para o século XX, tanto quanto A Casa de Bernarda Alba repleta da paixão que a solidão colectiva produz.

O caso de Lorca, passados 75 anos do seu assassinato, está cada vez mais no domínio do inefável, do que não pode ser dito, está no âmbito do Mito incontornável.

A verdade é que nos resta o mito, quando não se encontram os ossos do poeta. O próprio Garcia Lorca o criou, duma forma profética num poema de “Poeta en Nueva York”.

Fábula y rueda de los tres amigos” contém 6 versos, num conjunto de toada repetitiva de 70 versos, que são o registo da premonição sobre a própria morte, numa tensão que se revelaria, apesar do seu lirismo surrealista, profundamente profética.
São paradigmáticos, estes versos:
por mi muerte desierta con un solo paseante equivocado”, o Poeta, de madrugada, fuzilado diante de um muro, sem companhia na sua morte; “ comprendí que me habían asesinado.”

Recorrieron los cafés y los cementerios y las iglesias.

Abrieron los toneles y los armarios.

Destrozaron tres esqueletos para arrancar sus dientes de oro.

Ya no me encontraron.

É, no entanto, distante do objecto da composição lorquiana o aparente sentido do seu título: “Fábula e rueda de los tres amigos”; referem os analistas da obra de Lorca que o primeiro título era o mais adequado: “Primera fábula para los muertos”. 

A descrição surrealista do mundo da morte e o sentimnto de dor do poeta perante a sua própria morte e a da cidade de Nova Iorque – julgo que aqui não nos devemos esquecer da data 1929-1930, da queda Wall Street, da Grande Depressão.

Há também o motivo -diz-se nas biografias do poeta granadino- da perda de um amor, que o terá levado por um ano à Universidade de Columbia e a Cuba, e o acento do poema ( como um canto dançante) em torno de três amigos:

Enrique,

Emilio,

Lorenzo.

Estabam los tres enterrados

Estes aparecem numa foto, junto do poema no próprio livro (*), como travestis (“estudiantes bailando, vestidos de mujer”), o que nos pode levar a pensar na orientação do amor perdido de Lorca. Mas isso é outra história.

(*) Poeta en Nueva York, Catedra Letras Hispánicas, 5ª Edicion, Madrid, 1992.

João Tomaz Parreira

domingo, 4 de dezembro de 2011

Perante mim

Destemidamente olhei-me
No espelho um sorriso
Passou no meu rosto
Despertava
Encarei de frente o futuro
Renovei-me nos conceitos divinos
Todos repletos de excelsos valores
Vasculhei minhas gavetas do passado
E perfumei-as de novo

Florbela Ribeiro

 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O Mendigo Lázaro


Poema inédito de J.T.Parreira

Seria estranho não pensar em ti, depois
que Lucas te deu dez linhas
no Evangelho e deu a palma
das mãos dos anjos como esquife
agora que entraste pela porta
da morte com a túnica rasgada
e o andrajo do teu corpo
Seria estranho não pensar no teu silêncio
enquanto guardavas a migalha do pão
para o outro dia.

2/12/2011

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Chamo-os



(Uma conversação sobre Hebreus 11, 4, ss )

Os ombros de Abel, de longe
voltam-se para mim
e um cordeiro emana
como nuvem de lã
E Enoque, que saía do chão, volúvel
transparente
para a alegria celeste
Estava Noé no silêncio
da sua janela, no meio de escura água
e olhava para cima, movido
pelas fontes do céu
E Abraão, quando chamado
viu ao longe, desafiou os olhos
para a luz suave das estrelas
Em algum sótão do sono
Jacob necessitava de um pouco
de sonho
E pelas pegadas do gado Moisés,
pelo deserto, regressa
até mim.
Chamo-os, enquanto
Raabe do corpo
desenlaça
um fio escarlate.


J.T.Parreira

sábado, 19 de novembro de 2011

À SOMBRA


O SENHOR Deus fez crescer uma planta, mais alta do que Jonas, para lhe dar sombra e o confortar do seu desgosto.
Livro de Jonas, 4:6

O Senhor fez crescer uma planta
o Senhor fez a planta cresceu
para calar os gritos da minha alma
para soprar sobre o fogo
mais selvagem do que eu

a planta cresceu com ramos
que amaciam o meio-dia
deslizando pelos meus sonhos
devolvendo-me as lágrimas
que me abandonaram
no ventre cheio de muitos cuidados

a planta cresceu
amante
dos meus cabelos, o amor perfeito
do tom grisalho do meu coração
com ela me posso cobrir
na sua sombra de água

19/11/11

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

SANSÃO



os cabelos, os cabelos 
como noites varridas 
à ilharga dos cometas
que passam em repentinos lumes
pela boca de Dalila

os cabelos, os cabelos
como noites fendidas 
pelas asas dos pássaros 
que fazem ninhos habituais 
nos seios de Dalila

os cabelos, os cabelos
têm o volume de toda a força 
das marés, reduzem 
a escória bruta a pedra polida
do rosto de Dagon

16/11/11

O Exilado

Inédito de J.T.Parreira

Mantém suas raízes no ar, nos braços
acolhe cheiros, o peso das estrelas
desde a infância, que via no fundo da janela
os vultos
invisíveis que nomeia agora tão distantes
mantém poder morrer ainda
no seu bairro
o que mantém nos olhos
no exílio, é a pedra que brilha
de que foi feita a sua casa.
16/11/2011

sábado, 12 de novembro de 2011

IN HOC SIGNO VINCES


Ao jovem Ali Abbas, vitimado pelo bombardeio americano num vilarejo em Bagdá em 2003, ataque que lhe custou a amputação de ambos os braços e a vida dos 16 membros de sua família (17, pois sua mãe estava grávida de seis meses).

Um pouco mais de empenho, Ali,
um pouco mais
de amor
e um outro panorama
nos engolfaria

Se Billy Graham tivesse gritado com
toda a sua força
Se Rick Warren entendesse realmente
se Lucado Hinn Meyer
levantassem um clamor
uma campanha uma
mobilização uma
GREVE
na nação
então talvez Ali Abbas
suas mãos hoje acenariam
suas mãos então
talvez
você ainda tivesse mãos
para acenar

Se Gandhi não estivesse certo, Ali,
se Gandhi não tivesse razão
em toda a miséria da verdade
se os cristãos não fossem como ele
disse
o único defeito do Cristianismo
talvez não houvesse
esta guerra

Talvez ainda mais,
talvez seu país
ainda fosse cristão
desde os dias de Paulo o apóstolo
até aqui
e as malversações satânicas
não pudessem a primazia
que hoje podem,
que hoje explodem.

Talvez não houvesse tantas
explosões no mundo
se os cristãos todos nós o fôssemos
realmente, se a América toda ela
realmente fosse.

Empinarias pipas na Bagdá ainda de pé
empinarias pipas
no grande Festival Anual de Pipas
da Igreja Batista de Bagdá
mas os cristãos
falharam em sua missão
ao longo da história,
ao longo das esquinas
falharam em seu perdão
e devolveram
mil olhos
por cada olho, cada terror.

Mas há um Cristo
que insistentemente morre
em cada um
de nossos pecados
e nos ressuscita,
que torna o mal
em múltiplos bens

há esperança, Ali,
para todo aquele
que se atrela aferra
agarra
à Esperança


Sammis Reachers

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Lei do Retorno, Inédito de J.T.Parreira


Quem são estes que vêm voando como nuvens
e como pombas as suas janelas”
Isaias, 60,8


Aqueles que nos levaram
também nos deram asas, quando chegaram
as horas de Deus
trouxemos as nuvens
para as nossas sandálias
e voamos
como pombas branqueando as sombras
podemos fazer as nossas janelas
com vista para o mar
nossos braços e pernas
não serão mais pontas soltas no vento.


*A Lei do Retorno (de 1950) dá a qualquer judeu "no exílio" o direito de voltar para sua histórica terra natal e de receber sua cidadania.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

E DAÍ?



E daí, se os anos têm se somado a ti?
Eles não têm te tirado nada
Nem te acrescentado coisa alguma.
O poder deles é de apenas apresentar teus dotes.

E daí, se os anos têm te deixado mais cansada?
Tua inteligência supera isso.
E o show continua sendo a ribalta
Somente tua.

E daí, se a festa tem sido sempre discreta
(escolha tua)? Melhor pra quem foi eleito
Teu convidado. Os demais se sempre a teu lado
Serão por ti contemplados.

Os anos têm mostrado quantos rostos tens tido.
Cada um sempre tão bem emoldurado
Com o passar dos anos.

Coração não. Coração tem sido um só:
Aquele que a cada dia deseja ser mais sábio.

E daí, se os anos tem se somado a ti?



Luiz Flor, marido. Homenagem a VALDÉLIA em seu NIVER.


O DIA

Sem qualquer cerimônia
Observava através das frestas
Do buraco da chave na porta
Das brechas das telhas afastadas do telhado

Irrequieto tentava achar passagens
A menor que fosse lhe era grande possibilidade.
Achou de querer passar pelos portilhos da janela
Que há muito o aguardava.

Sua insistência fazia respingar luz
E fazia as cores mais vivas:
A da parede, da janela, da porta
Dos quadros na parede
Da roupa que vestíamos
E fazia desnecessária a luz das lâmpadas
Da casa, dos postes nas ruas...

Insistindo em se apresentar
Fez pássaros cantar
O galo dizia com música
De sua chegada

Seu gesto mais afoito
Foi abrir caminho entre meus
Cílios e pestanas
Para me dizer que havia chegado

Esse é o dia que fez o Senhor:
Para nos alegrar nEle.

* Este poema cita em sua última estrofe o Salmo 118.24

Palavras de Caim após o Crime


Abel stand up / so that things may start afresh / between us.”
Hilde Domin


Abel, levanta-te
as minhas mãos cairam
em si, cada um dos meus dedos
queria voltar ao princípio
da infância
Abel, as nossas primeiras palavras
ainda não conheciam a morte
é estranho
que os teus olhos já não brilhem
Levanta-te, as coisas
podem recomeçar
com novo fôlego entre nós.

6-11-2011

Inédito de J.T.Parreira

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

RUTE

“Rute foi então para os campos e pôs-se a apanhar as espigas que os ceifeiros deixavam ficar”
Rute 2:3

colhe
com os olhos que tem nas mãos 
o que outros deixam ficar
ou não vêem colhe espigas soltas
como pontas de novelos

é o cuidado dos bicos longos 
do flamingo posto nos dedos
Rute sabe que colhe 
onde não semeou
nos campos de Booz
sabe que colhe o pão que
lhe disseminará na mesa de cada dia

mas não sabe que nesse gesto
de ceifeira pobre semeia
brasas de sol 
em outros olhos que têm mãos 

29/10/11

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Um soneto de Joanyr de Oliveira


Klee, Legend of the Nile

DA ESQUIVA PALAVRA

Se a palavra se esquiva, vou buscá-la
com paixão, com desvelo e reverência;
nunca sei se num mestre ou numa vala,
porque sempre aceitei sua inocência.

Sei do verbo nas fossas e nas chamas,
mas prefiro da moeda o lado oposto:
as palavras são virgens ou são damas
a oscular o silêncio de meu rosto.

Navegante da noite, me maltrata
o nosso corpo-a-corpo, a nossa luta
em que tanto rejeita quanto é grata.

Essa lânguida fêmea... ela se oculta
pelo ermo de meu ser, e me arrebata
intangível, fugaz, plena e absoluta.

in Tempo de Ceifar

sábado, 22 de outubro de 2011

AQUELE DE CUJA MÃO FUGIU O ANJO, novo livro de poemas de J.T.Parreira para download gratuito



Para os apreciadores da dita poesia evangélica, desnecessárias são as apresentações à obra de J.T.Parreira. Mas para proveito de todos, devemos prestar os devidos esclarecimentos. Poeta evangélico lusitano, com já mais de quatro décadas dedicadas à poesia, JTP é autor de seis livros de poesia e tem participação em diversas antologias; poemas vertidos para o inglês, italiano, espanhol e turco. Foi um dos deflagradores, juntamente com o poeta e pastor brasileiro Joanyr de Oliveira, do movimento pela Nova Poesia Evangélica, que a partir das décadas de sessenta e setenta do século passado insuflou um benfazejo espírito de renovação e atualização em nossas letras. Faço minhas as palavras do economista e escritor João Pedro Martins: “João Tomaz Parreira é um autor  incontornável no escasso universo da literatura feita por evangélicos. A sua poesia é Poesia Gourmet.

É pois com prazer que apresentamos um novo e-book de poemas de nosso irmão. O livro Aquele De Cuja Mão Fugiu o Anjo reúne 30 poemas de inspiração cristã, plena substanciação da fina literatura que tem consagrado o autor como um dos maiores poetas evangélicos de nossa língua.

Para baixar este livro, CLIQUE AQUI.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Contador de Estrelas



Esta noite vou contar as estrelas”
Brissos Lino


Faço questão de continuar a contar estrelas
elas
sabem quando um poeta invade
o seu reino de trevas aparente
-porque não vemos o leite das eternas manhãs
das nebulosas e galáxias- e tremem
muito mais
e se pudessem ficar fora
do controle de Deus, viriam até nós
envelhecer nos nossos olhos.

20-10-2011

J.T.Parreira

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Encontro com o poeta Rui Miguel Duarte



No dia 18 deste mês estive no luminoso bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, para um breve encontro com o irmão, poeta e professor lusitano Rui Miguel Duarte. Rui é formado em Línguas e Literatura Clássicas, e esteve no Rio para participar do XVIII Congresso da Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos. 


Na ocasião, tive a honra de ser presenteado com três pequenos tesouros poéticos: O livro Muta Vox, do próprio Rui, que reúne a fina produção do autor; o livro Encomenda a Stravisnky, primorosa edição bilíngue (português - espanhol) de nosso mestre J.T.Parreira; e a oportuna antologia Nada Onde Pousar o Sonho, iniciativa do Desafio Miquéias de Portugal, congregando a obra de onze poetas evangélicos portugueses, livro com design gráfico digno de nota (ao estilo livro antigo, vide imagem).

Meus abraços fraternais ao Rui, agradecido pela felicidade de poder continuar estreitando os laços que unem poetas evangélicos de Brasil e Portugal, tradição que remonta ao tempo do saudoso poeta Joanyr de Oliveira, quando, em sua coluna na Revista A Seara (na década de setenta do século passado), mantinha já profícuo intercâmbio com bardos lusitanos como J.T.Parreira e Brissos Lino, dentre outros.

A poesia evangélica segue cumprindo sua função de evangelizar, edificar e promover a unidade do grande corpo de Cristo!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Carta Origem da Antologia da Nova Poesia Evangélica

Carta do poeta Joanyr de Oliveira para o poeta JTP, na qual se começava a estruturar o sonho de uma Antologia da Nova Poesia Evangélica, concretizado com a publicação da mesma em 1977, no Rio de Janeiro.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

As Cartas


Eram cartas sem resposta
apenas num sentido, como as raízes
irrompem da terra na flor vertical
impossíveis de responder, as cartas
ardiam no pergaminho, como a sarça
a viver num fogo celeste
e sem peso
vertiam-se na voz de quem as lia
o céu está nas cartas, é um lugar
na terra, em Éfeso ou em Corinto.
 8/10/2011 

J.T.Parreira

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Pedro Valdo

Homem rico, nobre cidadão,
cristão de fé e grande devoção,
Pierre de Vaux, para nós Pedro Valdo,
fora, pela morte de um amigo, impactado.
Vá e vende tudo, depois segue a Jesus,
ele dar-te-á vida, caminharás em sua luz.
Impactado pela morte, fez dela transformação,
o que antes era luxo, converteu-se em benção.
Mover de Deus na história, Valdo nos transformou:
simplicidade e devoção, como legado nos deixou.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Somente por Jesus viver em ti



Somente por Jesus viver em ti
Podes amor frutificar
Alegria comunicar
E paz transmitir.
Somente por Jesus  te amar
Podes perfume ao redor espalhar
E beleza contagiar.


Somente por Jesus te escolher
Podes fé receber
Por ela viver
E mais florescer.
Somente por Jesus te remir
Podes teus irmãos atrair
E sua graça exibir.


Somente por sua revelação
Alcanças perdão
E desfrutas tão doce Salvação.
És um Jardim fechado
Pelo Mestre cuidado
Tuas cores o exaltam
Tuas águas jamais faltam.


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Hiroshima



Inédito de J.T.Parreira


Os cabelos cairam de manhã
de cabeças devastadas
como a cidade, acordaram
para a deformação
corpos acesos a dez mil graus
E ninguém viu nada em Hiroshima
nada
por causa da cinza
de dez mil sóis de luz e vento.

3/10/2011

SOLDADO


Pouco importa se em Delfos, Kinshasa
Ou no delta do Mekong
Que eu seja uma asa
Para os mutilados

Que a bala que ceifaria o inocente
Pare antes em meu peito
Ou seja interceptada pela mão
De Teu anjo

                                     - Tanto faz,
                                       Eis-nos aqui

Trago minha sede
Até os Teus regaços
Toda a minha sequidão
Deito diante de Ti
Rompo meus 32 anos de crepúsculos
Para chegar a Ti, Amanhecer

Sou dunas a deambular no deserto
Denunciante de toda a usurpação
Assassino das raposinhas do Caos
Por Ti, que me moeste
E vaso novo me formaste
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