sábado, 2 de julho de 2016

Sorteio de livros no aniversário do blog Poesia Evangélica


Queridos irmãos, em 2006 iniciamos, de forma humilde, um blog cujo objetivo, naquele momento, tinha certa urgência: disponibilizar um canal (até então inexistente) de resgate, divulgação e promoção da poesia evangélica/cristã, abarcando tanto os autores de ontem quanto os atuais, tanto medalhões quanto jovens ou bissextos iniciantes nos meandros da poesia.
De lá para cá, foram centenas de autores divulgados. E ainda diversos livros e e-books, individuais e coletivos (antologias) que surgiram direta ou indiretamente devido ao trabalho do blog. Mas nossa principal conquista é que construímos uma rede de fraternidade, de amigos poetas e leitores de poesia, que gerou e gera os mais agradáveis frutos de comunhão. E ainda muito está por vir!

Para comemorar os 10 anos de nosso espaço, realizaremos um sorteio de livros. Serão nove livros sorteados, compondo kits de três livros cada; assim, serão três os leitores ganhadores, e cada qual receberá um kit contendo três livros.
Para participar é fácil: deixe um comentário neste post no blog Poesia Evangélica ( http://goo.gl/t9bqPC ), com seu nome e e-mail para contato. No dia 05 de Julho realizaremos o sorteio. Participe e convide outros irmãos e amigos!

Os kits constarão de:

  • Kit 1: Inventor de Poesia (poesia), de Margarete Solange Moraes; O Pequeno Livro dos Mortos (contos), de Sammis Reachers; e Uma Teoria do Poema (teoria da literatura), de Domingos Carvalho da Silva.
  • Kit 2: 22 Contistas em Campo (antologia de contos), org. de Flávio Moreira da Costa; Contos Reunidos (contos), de Margarete Solange Moraes; O Pequeno Livro dos Mortos (contos), de Sammis Reachers.
  • Kit 3: O Agente Infiltrado e Outros Poemas (poesia), Jorge Wanderley; O Velho e a Menina (novela), de Margarete Solange Mores, e O Pequeno Livro dos Mortos (contos), de Sammis Reachers.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

O REGRESSO

O Regresso

Isaías, 60,8

Vinham como pombas às suas janelas,
sem vidros
ainda o deserto esperava as laranjas de Israel
e as tâmaras nas palmeiras
como brincos.
Vieram em barcos que se lançaram à Nação
com a alegria
escondida nos porões, traziam
os corações de volta ao lar.

27-03-2015


© João Tomaz Parreira

domingo, 22 de maio de 2016

Certo Homem Tinha Dois Filhos - Proposições sobre o Filho Pródigo


      Das diversas parábolas relatadas por Jesus, talvez nenhuma outra tenha tido tanta repercussão, e consequentemente sido alvo de mais representações artísticas quanto a Parábola do Filho Pródigo (Lc 15:11-32). E, em apoio à sua singularidade, note-se que, ao contrário de outras parábolas, esta aparece apenas no livro de Lucas. Sua mensagem, por ser perfeitamente evangélica, é de simples, universal compreensão; seu impacto é duradouro. Talvez porque diante de um Deus santo de quem nos afastamos e fomos afastados pelo pecado, sejamos todos pródigos a priori (e tantas e tantas vezes, a rematar nossa rebelião, a posteriori).
       É essa figura arquetípica do pródigo que é o Homem, inserida nesta parábola também arquetípica sobre o incomensurável e incondicional amor do Deus-Pai, que JTP elege para objeto de sua reflexão poética.
       Este pequeno e-book colige textos escritos em períodos diversos, mas que em comum trazem a marca da economia e extrema expressividade, tão características da poesia do autor.

Sammis Reachers

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Caso não consiga efetuar o download, solicite o envio por e-mail: sammisreachers@ig.com.br

quarta-feira, 4 de maio de 2016

TRAVESSIA DO MAR VERMELHO



O  que nos movia para a margem
do mar vermelho, o desejo com asas
tranquilas e os olhos com a doce lágrima
da liberdade,
mesmo sob a febre do deserto?  Movia-nos
uma terra que não conhecíamos, ainda
perto do egipto e com os cascos dos cavalos
egípcios a partirem o silêncio sagrado do chão  
montadas e cavaleiros confiantes
na perseguição. O que movia um povo,
cujo censo estava nas estrelas, multidão escondida
para a margem do mar? A esperança juvenil dos velhos,
o útero das mulheres jovens
para darem à luz no leite e no mel
da terra prometida?

19-04-2016

© João Tomaz Parreira  

segunda-feira, 18 de abril de 2016

PEREGRINO



“No, I have no country
except for these clouds rising as mist from lakes of poetry.”
Adonis



Não, não tenho nenhum país
excepto esta estrada que começa sempre nos meus pés
excepto  esta chuva que inunda as sombras das rosas
estas nuvens
que entre o cinzento e o branco, alternam lagos azuis no céu
a poesia da névoa de que emergem as manhãs
Não, eu não tenho mapas que estremeçam
Com o vento, abertos nas minhas mãos.
Não tenho nenhum país, nem templos
excepto esse aonde vou onde está Deus.


17-04-2016

© João Tomaz Parreira

segunda-feira, 4 de abril de 2016

DALILA SOBRE SANSÃO DORMINDO


Ardem os meus dedos nos teus cabelos
são réus do fogo imanente dos teus lábios
onde os meus se indignam

ardem os meus sonhos de ouro
e perguntam: o que ensinam
sobre os segredos, são lenda gasta
pelas noites, no saltitar das gazelas gémeas?

ardem os dados que lançaram
os meus mármores brancos
nos teus cabelos, sim, nas tuas tranças
que são o vulcão desta terra
e o vendaval deste coração

ardem e consomem-se eriçadas
as minhas curvaturas nas tuas arcadas
os teus cavalos nos meus montes
ardem e traçam para sempre
de sol e estrelas
um novo alfabeto

Rui Miguel Duarte
04/04/16

sexta-feira, 25 de março de 2016

NA CRUZ

"Para ele nascer morri"
Almeida Garrett

Doem-me as mágoas dos homens
os seus dolos ardem-me as têmporas
dos homens nascidos para a morte

a massa do mundo pesa-me
por dentro do ferro
por vós homens, que tendes a transgressão
por norma. Quem entendeu
o que cantava a cítara antiga,
quem entendeu a subida ao monte
em que a faca encontra
rente ao sangue o cordeiro
do silêncio? Quem entendeu
o protesto do profeta até aos abismos?

Para nascerdes é que eu morri
para que o Sol vos risse
é que as Estrelas choraram

Rui Miguel Duarte
25/03/16

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

ORAÇÃO FEITA PARA UM ESPELHO



(Lc 18:11-12)

Graças te dou, a Ti, que estás desse lado
porque não sou como os outros, A minha ganância
é comedida,  A minha  justiça é de pedra
Não sou adúltero, A não ser comigo mesmo
e com a minha beleza, Jejuo
para fazer compreender ao pobre que a fome
nos disciplina o corpo, Dou o dízimo de tudo
dos meus dez dedos, um
é teu e serve para apontar o erro alheio, Dos outros
não há ninguém que não seja publicano.

29-12-2015


© João Tomaz Parreira 

sábado, 26 de dezembro de 2015

REPOUSO

Si l'enfant repose,
Un ange tout rose,
Que la nuit seul on peut voir,
Viendra lui dire "bonsoir!"

Marceline Desbordes Valmore (1786-1859)

Ao menino que dorme
um anjo cobre e faz sombra
as asas trazem a estrela e depositam-na
no berço que não te alenta

cobre com as alturas dos hosanas
o rugido dos leões e o silvo das espadas
dos inimigos que arrefecem o ar
com ameaças de morte ao menino

vem aquietar o coração dos pais
dizer-lhes que a noite é amiga
nela se aperfeiçoam os perfumes
que nos chegam na viragem do dia

dorme bem — diz — menino,
hosana, repousa dos trabalhos,
depois do morticínio
estenderão as tuas mãos a paz

Rui Miguel Duarte
24/12/15

domingo, 29 de novembro de 2015

O PAI NOSSO


(O Angelus, Jean-Françoise Millet)


É o começo de uma bela amizade, nenhuma
outra é mais perfeita, sem impaciências
de Quem escuta com o coração.  Não sente o vão orgulho
de ter um reino, um nome sobre todo o nome
a sua vontade é o que Deus sente: Amor
assim na terra como no céu.  Pela sua mão
o pão distribuído na frescura das manhãs
sem esperar nada senão o nosso rosto
voltado para o seu, a nossa alma lavrada
pelo arado da Palavra, a nossa vida
como um fruto dos seus dedos. Ámen.   

29-11-2015

© João Tomaz Parreira


quarta-feira, 18 de novembro de 2015

REGRESSO A OLISSIPO

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“Heureux qui, comme Ulysse, a fait un beau voyage…”
Joachim du Bellay (1522-1560)

Terá Ulisses visto fumegar a carne assando
subir acima das nuvens que submergiam a visão?
Por onde navegou ele entre Circe a a dormência

das ondas, que o embalavam para um lado e outro?
aspirava rever da aldeia a sombra
da casa que os seus maiores construíram
e cada onda empurrando a balsa

é um tijolo que refaz a memória da casa
do azul incandescente surgem aves
das bandas da ribeira, canto trazem a notícia

da morte das sereias, já não precisa o herói
de segredos de ser amarrado ao mastro
para aprender que o sonho é a realidade

a sabedoria e o amor, que Penélope
já não está encerrada em casa de mãos presas
ao tear, o dorso vergado ao sol

que nasce e se põe em cada dia
já não há sombra nem esperança
eis Olissipo que se eleva da claridade do rio

Rui Miguel Duarte
19/11/2015

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

MARIA AOS PÉS DE JESUS

“da sua lingua fluía um discurso mais doce que o mel”
Ilíada 1.249

da tua língua fluía a água
que abria as nuvens
o som de muitos anjos
sobrepondo-se-lhe a tonalidade
distinta da voz que fala da vida
da vida cheia de Deus

dos teus pés fluía o vinho
submergindo os meus pés
o meu colo o meu peito
até dentro do meu coração
onde cinza, que foi depositada e cala,
ganha a espessura da terra que espera
a semente e depois desta o arado
em silêncio

da tua voz fluía o mel
nenhum outro se lhe compara
quem o bebe, dizes, a melhor parte bebe,
ao prová-lo, sou uma ave
cujas asas são amor

Rui Miguel Duarte
9/10/15

Johannes van Vermeer, Christ in the House of Martha and Mary
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