sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Amor ao Próximo, poema de Artur Tavani



Amor ao Próximo

Não me é dado incutir verdades científicas,
Nem o dom das mágicas cadências que emocionam.
Não podem minhas mãos tirar de algum teclado
Uma série de harmonias.
Nem posso com pincel pintar na tela
Um mar de vidro ou um perfil de santo.
Oro no entanto pelo dom de um sorriso
Satisfeito, ou um gesto inspirador.
A graça de aliviar o rude fardo
Dos que parecem sucumbir-lhe ao peso,
E o dom de encaminhar um ser, da dor
P'ra suave luz que um dia lhe fugira.
Quisera ser o coração, um mago,
Distribuindo bênçãos a mãos cheias,
E vendo em todo passarinho ou flor
A oculta essência de um poder maior.
E, mais que todos, quisera eu o dom de pena
Para mantê-lo vivo em todo coração.

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Três poemas de Edna das Dores de Oliveira Coimbra



Cristo, o Resgatador

Corpo despido recebendo açoites
Das correias de couro
Atadas a ossos de ruminante.
Pele rasgada, músculos cortados
Sangue e plasma derramados
Em solo maldito.
E ao receber uma coroa de espinhos
Zombaram não só de Cristo
Mas também do Pai que o enviou.
E no Gólgota, “lugar da caveira”
Cristo negou a bebida narcótica
Pois tinha o domínio de si mesmo.
Com os braços estendidos
Os pulsos cravados na madeira
E os pés fixados por um prego de ferro
Até para respirar a dor era agonizante.
Mas Ele não passou pelo Crurifrágico
Pois antes expirou
E suas pernas não foram quebradas
Cumprindo-se as Escrituras:
"Guarda-lhe todos os ossos;
nem sequer um deles foi quebrado." (Salmo 34:20)
 “Nenhum osso seu será esmagado.” (João 19:36).
Bendito seja o Senhor Jesus!
Cordeiro de Deus: puro, sem manchas e sem defeito!
O nosso Resgatador!       


Os malfeitores

Um era Dimas
O outro era Tolo
Dimas pedia perdão
Tolo desafiava o Autor da Salvação
Dimas sabia estar ali por justiça
Tolo se igualava a Cristo
Dimas reconheceu o Advogado
Tolo reconheceu apenas sua humanidade
Dimas tinha certeza de uma vida futura
Tolo apenas da ruptura
Dimas viu em Jesus a esperança do porvir
Tolo viu a esperança deixar de existir
Dimas pediu consolo futuro
Tolo viu tudo obscuro
Dimas também havia zombado
Do Cristo da Cruz
Mas seu espirito reconheceu
o Espírito que havia no Messias
E alertou a Tolo
Para que temesse o castigo
E Dimas, antes que a morte lhe viesse
Rogou a Cristo que fosse lembrado
Perdão e vida eterna
Foram garantidos a Dimas
Quando a Tolo ...
Ele fora tolo.


Bendito Simão de Cireneu

Bendito Simão
Por ajudar a Cristo
Em seu trajeto
Com a cruz.
Bendito Simão
Porque a sua cidade presenciou
O derramamento do Espírito Santo
Com entendimento e concordância.
Benditos Simão
Pai de Alexandre e Rufo
Mencionados nas Escrituras
Como verdadeiros cristãos.
Bendito Simão
Que mesmo obrigado
Pelos soldados romanos
Carregou a cruz
Pela Via Dolorosa.
Bendito Simão
Porque tu foste eleito do Senhor
Para essa bendita missão
Que te resultou em bênçãos.
Tu aliviaste parte do peso
Da cruz do Amado
E pelo Amém tu foste abençoado.
O Alfa e o Ômega guardou a tua casa.
E os teus não se desviaram.
Graças a Deus!

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Poema para pastores - Mário Barreto França


Pastores
Ao pastor Djalma Cunha
Mário Barreto França

Ó vós que dirigis às fontes e às campinas
As ovelhas de Cristo a beber e a pastar
Sois a excelsa expressão das palavras divinas
Nas mensagens da fé para se crer e amar!...
Pela força moral das bíblicas doutrinas
Dás esperança à gente e venturas ao lar,
E trazeis sempre às mãos inesgotáveis minas
De sublimes lições, ante o celeste altar...
Pastores! Para o bem de todos os perdidos,
Pela felicidade eterna dos remidos
E para a salvação de todos os incréus,
Bendita seja a vossa esplêndida jornada,
Levando com amor, na suprema escalada,
Os rebanhos de Deus para o aprisco dos céus!

Do livro O Louvor dos Humildes

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Nasce TIBERÍADES, Rede Iberoamericana de Poetas e Críticos Literários Cristãos

Nasce TIBERÍADES, Rede Iberoamericana de Poetas 
e Críticos Literários Cristãos



Tiberíades procura constituir-se numa plataforma para a troca de informações e recursos literários para todos os poetas e críticos literários do cristianismo protestante de ambos os lados do Atlântico, e das línguas irmãs espanhol e português. Tem uma orientação absolutamente interdenominacional, não vai estabelecer qualquer taxa para aqueles que desejam aderir à rede e tem como objetivo fazer compreender, pelo exemplo, sobre a necessidade de compartilhar, por todos os meios e redes disponíveis, as realizações e esforços criativos dos seus membros, muitas vezes não divulgados ou mesmo invisíveis pelo seu entorno imediato.
Para isso, contará com uma página na Web que agregará informações constantes, dos membros que o desejarem e dos meios de comunicação que façam eco às atividades e propostas de TIBERÍADES.
Entre esses recursos estarão:
O atraente PREMIO REY DAVID DE POESÍA BÍBLICA IBEROAMERICANA, organizado por Tiberíades, a Sociedade Bíblica de Espanha e, previsivelmente, a Fundação RZ para o Diálogo entre Fé e Cultura. As bases do mesmo serão publicadas em meados de março.
BOLETIM TIBERÍADES, Informativo incorporado na web onde os membros podem estar atualizados dos Prêmios recebidos, livros publicados pelos sócios, apresentações dos mesmos, ensaios publicados em outras mídias, etc. Eles também poderão publicar seus ensaios, resenhas e divulgações.
O anuário "PABLO EN EL AERÓPAGO - Anuario de Poesía y Crítica Literaria", a ser publicado em formato PDF para ser baixado livremente e que terá como seu tema os seguintes textos de Atos 17.28: "Pois nele vivemos, nos movemos e existimos’, como disseram alguns dos poetas de vocês: ‘Também somos descendência dele’". Aqui todos os membros poderão publicar seus trabalhos, se assim merecerem. Caso contrário, serão orientados para melhorar a qualidade do que é oferecido.
REUNIÃO IBERO-AMERICANA DE POETAS E CRÍTICOS LITERÁRIOS CRISTÃOS, a ser celebrada com periodicidade BIENAL na cidade espanhola de Salamanca.
Para fins de publicação de livros, se contará com o selo editorial TIBERÍADES EDICIONES, para livros digitais de download gratuito e livros impressos sob demanda. Desta forma, pretendemos ter alguma renda para pagar as despesas da página e pouco mais.
TIBERÍADES, que terá sua sede física em Salamanca, a cidade de seu diretor, Alfredo Pérez Alencart ( alencart@tiberiades.org) , é uma iniciativa sem fins lucrativos e aceitará como membros todos aqueles que o solicitarem.
Para formalizar a incorporação como membro, basta escrever um e-mail para: info@tiberiades.org, indicando sua vontade. Nenhum dado será solicitado aos membros, que serão convidados a visitar a web periodicamente e enviar poemas, artigos e ensaios para serem publicados na web.


TIBERÍADES

Rede Ibero-Americana de Poetas e Críticos Literários Cristãos 

Conselho Diretor

Alfredo Pérez Alencart (Peru-Espanha) - diretorMarcelo Gatica (Chile) - ViceJuan Carlos Martin Cobano (Espanha) - Secretário - GeralIsabel Pavón - Secretário do Rei David Prize para Iberoamericano Bíblia Poesia

Conselho Consultivo Espanha

Juan Antonio Monroy 
Samuel Escobar 
Stuart Park 
Beatriz Garrido 
Noa Alarcón 
Máximo García 
Manuel Corral 
Asun Quintana 
Pedro Tarquis 
Gabino Fernández 
Daniel Jándula 
Leopoldo López Samprón
Conselho Consultivo Ibero-Americano

Carlos Nejar (Brasil) 
Luis Rivera Pagan (Puerto Rico) 
José Brissos-Lino (Portugal) 
Plutarco Bonilla (Costa Rica) 
Leopoldo Cervantes Ortiz (México) 
Luis Cruz-Villalobos (Chile) 
George Reyes (Equador) 
Meriam Bendayan (Peru) 
Gerardo Oberman (Argentina) 
Balam Rodrigo (México) 
Sammis Reachers (Brasil) 
Sergio Inestrosa (El Salvador) 
Daylins Rufin Pardo (Cuba)

sábado, 29 de dezembro de 2018

UM NOVO MAGNIFICAT

O Espírito do Senhor tem asas por cima da Terra
procura entranhas e sangue
para acolher o seu Reino, o lugar 
onde o seu Filho fará entrar na história
dos homens, um ventre de uma jovem
filha da pobreza e do anonimato.
O Espírito do Senhor paira
sobre os estábulos
não é na cidade que achará
o coração da humildade, não
o sentado no trono dos poderosos,
mas o que entenda a língua das estrelas,
tão brancas como as neves,
que ser brancas é tudo o que são.
Para que precisa seria mais ciência
para além da resposta vitralícia,
um Magnifique a minha alma o Senhor?
Rui Miguel Duarte
24/12/18

domingo, 9 de dezembro de 2018

O que é afinal a poesia? Livro gratuito reúne 500 definições sobre o tema



   Além de poeta, esse mal menor, tenho há mais de uma década sido editor de poesia. Ao longo do tempo, vez por outra fui indagado por poetas, sejam iniciados, iniciantes e outros que sequer deram o primeiro verso, mas, temerosos, soltavam questionamentos em busca de rumos e indicações que lhes permitissem o ingresso nessa Pasárgada Total que é a Poesia:

O que é a poesia? O poema? E o poeta?

        Um dos motes para a realização desta antologia de citações é esse: Ofertar, num golpe único, algumas das melhores definições e reflexões sobre o que é a poesia e o poema, o poeta e o fazer poético. Assim poetas, o almirantado, mas também marujos vários: críticos, filósofos, santos e bunda-lêlês aqui estão vaticinando suas assertivas, algumas delas realmente extraordinárias, é preciso dizer. E ainda descemos aos últimos porões do léxico: São 17 os dicionários consultados pelo verbete poesia.
        Um livro de graça. O trigésimo? Após quase vinte antologias poéticas, uma (meta)antologia em prosa sobre a poesia em si, em dó, em lá de bem dalém do Bojador. Sim. Mais uma estrofe quixotesca de meu trabalho de pichador de muros e promotor literário, editor e antologista  de poesia primeiramente. Sei que essa faina frágil, robinhoodiana de piratear sintagmas no Mar dos Ingratos há de me render um dia não a forca mas homenagem  uma estátua, construto de fumaça, na mais imaginarinútil de todas as ilhas do Atol de Utopia. Que seja. Queimo minha nau pelo prazer da ardência e o torpor da fumaça: sou um multiplicador de embriagados. Apesar da ingratidão dos homens e das musas, tudo que sei é esse navegar. Nunca prestei pra mais nada na vida, e para essa ardência em águas me conservou o Deus.
        Bem-vindo a bordo da nau incendiada, marujo. Queime seus pés no tombadilho ardente, produza ar quente para insuflar o que restam das velas e o que você tenha de asas. E encontre, ao tombar o horizonte, aquilo que busca.

Sammis Reachers 

PARA BAIXAR O LIVRO (FORMATO PDF) PELO GOOGLE DRIVE, CLIQUE AQUI.

Compartilhe esse livro com seus contatos e confrades, alunos e professores, partidários e detratores: Por e-mail, redes sociais... Disponibilize-o para download gratuito em seu blog, site, portal. A Poesia há de vencer!

domingo, 24 de junho de 2018

A DÚVIDA




( Pilar do Claustro do Mosteiro de Santo Domingo, Burgos. A cena representa a dúvida do apóstolo Tomé após a ressurreição de Cristo.)



O meu corpo aceita todas as dúvidas, o meu sangue

Que foi um tecido líquido que cobriu as minhas feridas

De novo entre vós com o sinal dos cravos, metei o dedo

No lugar onde os pregos entraram até ao amago

Dos homens, escutai o meu coração

É um botão da flor do meu amor perfeito por vós

Se vos perdesse, doíam mais as minhas feridas

As dores da cruz são agora a minha maior alegria.



23/06/2018

© João Tomaz Parreira 

terça-feira, 22 de maio de 2018

AS PREGAS


“se eu tão-somente tocar na borda do seu manto, sararei”
Ev. Mateus 9:21


O meu manto tem muitas pregas
uma para deter o teu sangue,
que na torrente com que jorra
lava de ti gota a gota as cores
e os músculos do coração
outra guarda as lágrimas
que a dor, ao castigar
a tua persistente negação
sem uma vara a que se amparar,
te deixou como tristíssimo refrigério
há uma outra para dilatar o som
dos teus clamores e fazê-los voar
por sobre os montes, em busca
do socorro, até quem a ele será sensível,
até quem a ele atenderá
assim nos céus como na terra
há uma prega no meu manto
que é uma tenda para dormires
os teus Invernos, ela é o calor
da casa, o lume fluido
dos serões em festa na família,
enquanto o frio vai caindo lá fora
se me tocares nesta prega
limparás a vergonha, não mais poderão
continuar a dizer que és aquela
impura que corre sangue
e que tudo mancha à passagem do teu manto
Rui Miguel Duarte
29/04/18

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Águas Vivas volume 5 - Antologia bianual chega seu quinto volume reunindo o melhor da poesia evangélica


A Antologia Poética Águas Vivas, seleção bianual que desde 2007 reúne a produção de poetas evangélicos que se tem destacado pela sua ótima produção, chega a seu quinto volume. O livro, de noventa e seis páginas, pode ser baixado gratuitamente. 

Prefácio

Costumo dizer que a poesia é a antecâmara da Fé. A entrega poética, o salto/libertação que o sentimento poético opera, prenuncia a entrega maior que a fé solicita. E este livro é uma obra de fé. A de quem escreve e a de quem lê, a de quem, em meio a tempos de furiosa turbulência e apressadas solicitações, consegue tempo e alma para adentrar esta antecâmara que fala de re-ligação com o divino.
Pois a caravana não pode parar. De diversos cantos, o canto dos peregrinos ainda faz-se ouvir. A primavera resiste. A poesia cumpre seu papel, supre alento aos homens.
Nesta nova seleta, como já é tradicional em Águas Vivas, reunimos a voz experimentada de poetas laureados à voz de jovens iniciantes nos meandros poéticos, promissores e já de forte expressão.
Uma outra tradição de Águas Vivas é promover e celebrar a fraternidade que podemos chamar de lusófona: Desde a primeira edição, apresentamos, junto aos autores brasileiros, a obra de excelentes poetas evangélicos portugueses. Neste volume, além da presença honrosa do pastor, escritor e poeta português Samuel Pinheiro, ampliamos nossa corrente fraternal até a nação irmã de Moçambique, na figura da jovem Carla Júlia, poeta cuja riqueza de expressão é de admirar. E não bastasse a reunião de tão boa poesia devocional, apenas isso -  a comunhão em livro de ótimos poetas de três continentes, três países da lusofonia – já seria um selo distintivo a chancelar a relevância de Águas Vivas.
O talento em comum é aqui o eixo axial a unir poetas tão díspares em estilo, que operam nas mais variadasfrequências poéticas, e que, juntos, dão o tom democrático que sempre norteou esta antologia. Da beleza clássica dos sonetos de Natanael Santos aos versos de moderna dicção e com um toque de poesia marginal de Newton Messias; da caudalosidade hermética de Jorge F. Isah ao poema franco e filosófico de Júnior Fernandes; da maturidade decantada de Samuel Pinheiro até os versos sublimados da jovem moçambicana Carla Júlia e à terna entrega devocional de outra jovem, Karla Fernandes, estabelece-se aqui a corrente confraternal que, tenho certeza, acrescerá encanto aos olhos de todo amante do verso inspirado.
É pois com renovada alegria que entregamos aos leitores este novo volume de Águas Vivas.
  
Sammis Reachers, organizador.

Para baixar o livro pelo Google Drive, CLIQUE AQUI.
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Para baixar o livro pelo 4Shared, CLIQUE AQUI.

Caso não consiga realizar o download, solicite o envio por e-mail escrevendo para: sreachers@gmail.com

quinta-feira, 27 de abril de 2017

O OUTRO LADO DO RIBEIRO DE CEDROM



Esperavam-No a vontade do Pai e a sua
Agonia, a noite e as flores cabisbaixas
E o sono dos homens
E um cântico corrente das águas do ribeiro
De joelhos na terra fechou a sua angústia
Na tristeza do jardim, na dureza do chão
Que não era o seu lugar, no calafrio
O suor caia sobre as suas últimas palavras
Então falava ao coração do Pai
E os discípulos dormiam – dizem
De tristeza, levaram-No ainda as sombras
Não tinham declinado.



21-04-2015

© João Tomaz Parreira 

terça-feira, 7 de março de 2017

POEMA (Inédito)



“Were you there when they nail'd him to the cross? (Were you there?)

Tradicional cantado por Johnny Cash



Onde estava quando O crucificaram?
Poderia estar sentado à mesa
De trabalho, com a minha gata a dormir
Sob a luz do candeeiro, poderia estar
A ler um livro que me abrisse o mundo
Quando a madeira
Da cruz lhe feria os ombros de cansaço
E os cravos abriam a corrente do sangue
Ou a olhar pela janela que fica entre mim
E a chuva na rua, poderia fechar as pálpebras
Porque a notícia sangraria nos meus olhos
Poderia estar a pisar o risco onde parou
Nos escombros de Hiroxima
A humanidade do homem, e a culpa
Seria sempre minha no silêncio dos meus lábios.

07-03-2017


©  João Tomaz Parreira

domingo, 27 de novembro de 2016

POESIA DE CARLA JÚLIA



Acordei
As portas do rosto
Me traziam o mar
A imensa ausência de ser
Então as portas se fecharam
E o mar se fez em mim
Regurgitando em minhas pálpebras
Como se tivesse perdido a âncora da vida.



NOÉ

Rótulos do tempo
Tomados aos bocados por seus cabelos
Em seus olhos cabia apenas o dilúvio
Que lhe envolvia
Como pescador de lembranças.
Nas entranhas da tenda
Se desfazia dos nós da vida
Entre os cachos de vinho
Que não guardaram a nudez de sua euforia.


NO TEU SILÊNCIO

Como se o vazio se pudesse explicar
Tento eu escrever este poema
Lançando pedras no rio
Da imaginação
Para por um instante crer que estás aqui
Ou ali, estendendo o olhar em um fio de amor
Para que te veja e retorne com um riso...
Mas no final a pedra afunda
E eu continuo aqui
Tentando reescrever o poema
Que no baú da graça deixei.



© Poemas de Carla Júlia, Maputo, Moçambique
Do livro inédito "Aos Pés da Palavra"
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