sexta-feira, 13 de novembro de 2009

PAZ VERDE

Foto: Araquem Alcântara


Criança amiga do sol,
sozinha no mato,
feita soldado do verde
sob as insígnias dos girassóis...

Corre, vigia, ri,
exulta
(seu corpo é
nau anil alada
por 7.000 asas)
nos campos criados por Cristo.

Sua avó lhe instruiu em todo o Evangelho
e sua imaginação hoje voa, só porque o pastor lhe disse:
"O melhor de Deus ainda está por vir."

Seu sorriso e inocência são uma afronta,
eles bradam ao mundo e seu Satã,
num silêncio de supereloquências:
"Consumam vocês suas ba(le)las e logros.
EU NÃO ESTOU SOB O JUGO DO TEU JOGO."


Corre, criança verde de sol.


Sammis Reachers

domingo, 8 de novembro de 2009

A Capa

Tomaram a minha capa para cobrir
a nudez do império,
para pesar nas mãos o insustentável
Céu;
apanharam o cheiro do meu corpo,
disputaram dado a dado
a pureza do meu pobre linho.

Poema de João Tomaz Parreira

Via A Ovelha Perdida, Poesia Gourmet

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

MEU AMIGO

Em todo tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão (Provérbios 17.17).
Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos (João 15.13).

Meu amigo é o mar
Vasto
Cheio de cores
Sempre inspira cuidado
Provedor.

Meu amigo é o vento
Vem de todas as direções
Refrescante
Tem peso.

Meu amigo é uma flor
Deixa sempre um tanto de si em nós
Embeleza
Diz muito em pouco tempo.

Meu amigo é a vida
Sempre desejado
Valor por quem se luta
Para nunca perder.

Meu amigo é um livro
Com ele aprendo sempre
Vislumbro sempre algo novo
Ou recupero o esquecido
Para com ele não se pode ser indiferente.

Meu amigo
É tudo o que há de bom
Em virtudes e intenções.

Autoria: Luiz Flor dos Santos, pastor na cidade de São Gonçalo do Amarante, Ceará na Igreja Batista Fundamentalista Cristo é Vida.

CONHEÇA OS BLOGS DO PASTOR LUIZ FLOR:
www.pulpito.blog.terra.com.br
www.poesiadegraca.blogspot.com

No Éden

"Para aqueles que frequentam o jardim
o mundo está sempre a florescer
Longe de mim diminuir o louvor"

José Tolentino Mendonça, in "Sintra, antiga Estalagem da Raposa"


Aqueles que frequentam o jardim
fazem de cada pétala a sua casa
em cada cor reflectem as luzes da cidade
em cada olor se lavam da poeira das estradas.

A sombra das árvores é o seu deleite.
Se se sentam nos bancos, é para que
os ouvidos fiquem atentos
ao salmo dos pássaros
e do rumor das folhas.

No jardim o tempo não tem fronteiras,
não há sebes,
nele deixa o infinito o seu lastro.

Longe de mim romper
a fina membrana do silêncio
longe de mim permitir que
a perene florescência
do mundo, que para eles é o jardim,
deixe de entoar o devido salmo do louvor.

1/11/09


Publicado como inédito em Poeta Salutor

Salmo 23
















Salmo 23

Porque o Senhor é o meu Pastor, de nada sinto falta.
Ele me conduz
aos seus campos verdes de descanso, o meu sorriso
se vê no espelho plácido das suas águas.

A minha alma se conforta, e por sua graça
me conduz pelas veredas da justiça.
Nada recearei, ainda que sobre mim
se abatam densas trevas,
a tua presença e o teu auxílio me consolam

Entre mim e meus inimigos, a mesa
da abundância, abrigo diante da cara fechada
dos adversários, sobre mim derramas o teu perfume
como ave de muitas cores
Bandeiras de misericórdia e perdão
hão-de escoltar a minha existência,
sempre Contigo
.

Florbela Ribeiro
(com a colaboração de JTP)

Celebra Saudade

No peito bate a saudade,
lembrança viva na alma.
Palavra que alimenta,
nos dá paz, nos acalma.

Os gestos estão vivos
no nosso coração.
Seu olhar sempre firme
carregado de emoção.

Nesta hora celebramos
como o Senhor fazia:
reunidos como povo,
celebramos: Eucaristia.

Pão: corpo.
Vinho: sangue.
Lembramos sua vida,
lembramos sua cruz.
É bom estar à mesa,
contigo Senhor Jesus.

Poema integrante do livro Caixa de Versos de Giovanni Campagnuci Alecrim de Araújo, edição do autor, São Paulo,SP: 2009

sábado, 31 de outubro de 2009

31 de outubro

Pelos que sempre amaram o Evangelho
e o trouxeram até nós.
Pelo amor às Escrituras Sagradas,
por não calarem da alma a voz.

Pela graça infinita
que de graça nos abraça.
Pelo amor que se derrama
que o tempo não apaga.

Por cada homem e mulher
que, em real devoção,
dobraram seus joelhos,
não calaram o coração.

Graças te damos ó Deus
pela fé e compreensão
de que és real e sentido,
não apenas por emoção.

Graças te damos ó Deus
pela consciência sempre viva,
que não importa a época
mantêm nossa fé consciente e ativa.

Poema integrante do livro Caixa de Versos de Giovanni Campagnuci Alecrim de Araújo, edição do autor, São Paulo,SP: 2009

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

No encalço de um sonho
















No encalço de um sonho

Percorro a essência da vida
Como quem percorre uma estrada,
Um caminho,
Ou uma calçada,
Toda ladeada de flores de rosmaninho.

Danço como as folhas
Sopradas pelo vento.

Dou largas à imaginação,
E ao pensamento.

Viajo nas asas de um sonho
Pleno de realidade
E vou-me daqui,
Para perto de Ti.

Florbela Ribeiro

Ceia

Colher o trigo,
fazer do trigo farinha.
Tirar do trigo a força do pão.
Fortalecer-se com o pão.

Colher a uva,
separar do cacho toda uva.
Tirar da uva o vigor do vinho
Fortalecer-se com o vinho

Assentar-se à mesa.
Farta-se da ceia na mesa.
Eucaristia, santa comunhão.
Tomemos o vinho e o pão.

Poema integrante do livro Caixa de Versos de Giovanni Campagnuci Alecrim de Araújo, edição do autor, São Paulo,SP: 2009

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Por que temes?

Tela: Night - after Millet, de Van Gogh


Por que temes o mal? Ele é inevitável.
Desprezas o bem que bate á tua porta,
Espantas o amor que, paciente, espera
Que então atendas a uma só palavra.

Por que temes o bem? Achas insustentável
Que a paz não te deixe nem por um momento?
Amas a tua dor, desejas sofrimento,
Buscas o tormento e assim te julgas bom.

Não temes o flagelo das horas perdidas,
Todas as mentiras que animam teu medo.
Guardas teus segredos como vãos tesouros,
Escórias do ouro, tolo proceder.
Quem és tu que temes a própria verdade,
Expulsa dos teus dias tão em esperança?
Quem te fez escravo desta insanidade,
Qual merecedor dos males deste mundo?

Não será a dor o que te justifica,
Não será o medo o que tanto te humilha,
Nem a solidão a razão do teu pranto,
Nem obsessão a tua armadilha.
Tu mesmo armaste a rede aos teus passos,
Pássaro cruel que mutilou tuas asas
Para não poderes voar até os montes
De onde se vislumbra tão de perto o céu.

O céu que rejeitas jamais te feriu,
E as nuvens que vês são para o teu deleite,
Mas em tua loucura não crês que te aceite
O Senhor que te criou e te deu vida.
Não contemples mais a tua vã ferida,
Recebe o bálsamo, está á tua mão.
Ele te estende a destra e o auxílio,
Com amor te chama, e com compaixão.

Temerás também Sua misericórdia?
Te esconderás na tua vaidade?
Ou enfim darás a chance à verdade
De te transformares de algoz em redimido?

Espero que não temas te veres perdido,
Porque, afinal, por Deus tu foste achado,
Fraco, desprezado, inútil, oprimido,
Um trapo de gente, alguém sem serventia.


Mas quem O conhece como Deus de amor
Enfim se percebe que nasce de novo,
Que não mais importa tudo que passou,
Que é envolvente a paz que te domina.
Temerás então deixar Sua palavra,
Te recolherás aos braços do Pastor,
E esquecerás que um dia foste nada,
E hoje és para sempre alvo do Seu amor.

Marco di Silvanni

Via http://portodopoente.blogspot.com/

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Dois poemas de Florbela Ribeiro

Alma azul

Refresco a minha alma
No silêncio calmo
Do entardecer perfumado
E enfeito-a com
Pinceladas de azul
E andorinhas de papel.
Enquanto Tu
Que do alto me miras
E olhas por mim,
Vens e restauras
Suavemente
Aquela doce paz
Que por breves instantes
Me abandonou.


Indagar

Não estou presente
Nem ausente
Apenas quieta
Para indagar a voz
Que ecoa por entre
Os silêncios.
E assim perceber
Claramente
O que Ele
Pretende de mim.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

ECCE POIEMA

Anunciação do anjo a Zacarias (ícone russo)


"Mas como não acreditaste no que te disse, vais ficar mudo, sem poder falar, até ao dia em que isso acontecer, pois tudo se realizará no tempo devido.”
Evangelho de Lucas 1:20 (versão A Bíblia para todos, p. 2044)


Para mãos que trabalham
sem uma língua treinada
o silêncio pode ser de ouro
ou de chumbo maciço

Porém, esse silêncio ainda fala
ainda está cheio de poemas, cânticos
confessa apreensões ou revela sonhos
da dentro da linfa, das cavidades do osso

Voz que duvida, que fala do que não sabe
que com as mãos se queda a queimar incenso
a vigiar que a chama da menorah perene arda
a oferecer os pães

que escreve febril o que o silêncio apenas sussurr
ao que a voz na laringe emudece

Que te diz e conta, Zacarias, a voz que te secou?
Voz que guarda e
burila a sabedoria
que decanta os segredos
confiados pelo anjo do Senhor
esculpidos no ventre da tua mulher
afinados em outra voz, a que clamará no deserto

Mas quanto melhor
não é,
como numa salva de prata uma maçã de ouro servida
é a voz irrompendo
finalmente instruída e madura
que fala
e canta os altos louvores do Senhor!

22/10/09

Originalmente publicado em Papéis na gaveta, por gentileza do poeta J. T. Parreira