Pedaços dos que não tem pedaço
Não quero ser universal
Tolstói! dores em minha aldeia!
Há ex-meninos, ex-homens
pedaços dos que não tem pedaço
Onde nas praças há um exército
dormindo em caixas de papelão
Onde há um aviso: cuidado frágil
Não é sátira nem virtual
Sísifo global...
Feridas em minha aldeia
O trinômio hoje é outro: guerra,droga e fome
Estamos na era das chacinas
Pensamos muito... porque plantar árvore
se não vemos seus frutos?
Porque ensinar meninos se não vemos homens?
Em nossas praças tropeçamos em pedras
Estamos mumificados em nossas teorias
Seres franzinos juntam latinhas,elas
se transformam em pão,pó e pedra
Não há tempo, era da velocidade
Não se brinca, não há sorriso
Há dias que não somos capazes
Voltemos amanhã, será que haverá?
Nos falta continuidade...
Quem irá viver a sombra do que plantamos
Se é que plantamos?
Dê seu pedaço a quem não tem pedaço
Deixemos nossas redes virtuais
Precisamos pescar homens
Mesmo na ausência do mar
Ancaremos nosso barco no céu
Há vidas em nossas portas
Estamos afetados e infectados
Já dormimos por demais
Há um inverno aqui dentro
E mais frio lá fora.
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