domingo, 27 de novembro de 2016

POESIA DE CARLA JÚLIA



Acordei
As portas do rosto
Me traziam o mar
A imensa ausência de ser
Então as portas se fecharam
E o mar se fez em mim
Regurgitando em minhas pálpebras
Como se tivesse perdido a âncora da vida.



NOÉ

Rótulos do tempo
Tomados aos bocados por seus cabelos
Em seus olhos cabia apenas o dilúvio
Que lhe envolvia
Como pescador de lembranças.
Nas entranhas da tenda
Se desfazia dos nós da vida
Entre os cachos de vinho
Que não guardaram a nudez de sua euforia.


NO TEU SILÊNCIO

Como se o vazio se pudesse explicar
Tento eu escrever este poema
Lançando pedras no rio
Da imaginação
Para por um instante crer que estás aqui
Ou ali, estendendo o olhar em um fio de amor
Para que te veja e retorne com um riso...
Mas no final a pedra afunda
E eu continuo aqui
Tentando reescrever o poema
Que no baú da graça deixei.



© Poemas de Carla Júlia, Maputo, Moçambique
Do livro inédito "Aos Pés da Palavra"

4 comentários:

jose edmilson disse...

wow!Congrats, muito bom.. quero ver logo o livro e serei o 1 da fila para comprar

Aurelio Nhoco disse...

Excelente trabalho. Parabéns!

Cláudia Machaieie disse...

Parabens maninha.....ohh! estou tambem ansiosa pelo livro....

Yas Araújo disse...

Que maravilha! Espetacular, Deus te abençoe cada vez mais

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