sábado, 31 de outubro de 2009

31 de outubro

Pelos que sempre amaram o Evangelho
e o trouxeram até nós.
Pelo amor às Escrituras Sagradas,
por não calarem da alma a voz.

Pela graça infinita
que de graça nos abraça.
Pelo amor que se derrama
que o tempo não apaga.

Por cada homem e mulher
que, em real devoção,
dobraram seus joelhos,
não calaram o coração.

Graças te damos ó Deus
pela fé e compreensão
de que és real e sentido,
não apenas por emoção.

Graças te damos ó Deus
pela consciência sempre viva,
que não importa a época
mantêm nossa fé consciente e ativa.

Poema integrante do livro Caixa de Versos de Giovanni Campagnuci Alecrim de Araújo, edição do autor, São Paulo,SP: 2009

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

No encalço de um sonho
















No encalço de um sonho

Percorro a essência da vida
Como quem percorre uma estrada,
Um caminho,
Ou uma calçada,
Toda ladeada de flores de rosmaninho.

Danço como as folhas
Sopradas pelo vento.

Dou largas à imaginação,
E ao pensamento.

Viajo nas asas de um sonho
Pleno de realidade
E vou-me daqui,
Para perto de Ti.

Florbela Ribeiro

Ceia

Colher o trigo,
fazer do trigo farinha.
Tirar do trigo a força do pão.
Fortalecer-se com o pão.

Colher a uva,
separar do cacho toda uva.
Tirar da uva o vigor do vinho
Fortalecer-se com o vinho

Assentar-se à mesa.
Farta-se da ceia na mesa.
Eucaristia, santa comunhão.
Tomemos o vinho e o pão.

Poema integrante do livro Caixa de Versos de Giovanni Campagnuci Alecrim de Araújo, edição do autor, São Paulo,SP: 2009

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Por que temes?

Tela: Night - after Millet, de Van Gogh


Por que temes o mal? Ele é inevitável.
Desprezas o bem que bate á tua porta,
Espantas o amor que, paciente, espera
Que então atendas a uma só palavra.

Por que temes o bem? Achas insustentável
Que a paz não te deixe nem por um momento?
Amas a tua dor, desejas sofrimento,
Buscas o tormento e assim te julgas bom.

Não temes o flagelo das horas perdidas,
Todas as mentiras que animam teu medo.
Guardas teus segredos como vãos tesouros,
Escórias do ouro, tolo proceder.
Quem és tu que temes a própria verdade,
Expulsa dos teus dias tão em esperança?
Quem te fez escravo desta insanidade,
Qual merecedor dos males deste mundo?

Não será a dor o que te justifica,
Não será o medo o que tanto te humilha,
Nem a solidão a razão do teu pranto,
Nem obsessão a tua armadilha.
Tu mesmo armaste a rede aos teus passos,
Pássaro cruel que mutilou tuas asas
Para não poderes voar até os montes
De onde se vislumbra tão de perto o céu.

O céu que rejeitas jamais te feriu,
E as nuvens que vês são para o teu deleite,
Mas em tua loucura não crês que te aceite
O Senhor que te criou e te deu vida.
Não contemples mais a tua vã ferida,
Recebe o bálsamo, está á tua mão.
Ele te estende a destra e o auxílio,
Com amor te chama, e com compaixão.

Temerás também Sua misericórdia?
Te esconderás na tua vaidade?
Ou enfim darás a chance à verdade
De te transformares de algoz em redimido?

Espero que não temas te veres perdido,
Porque, afinal, por Deus tu foste achado,
Fraco, desprezado, inútil, oprimido,
Um trapo de gente, alguém sem serventia.


Mas quem O conhece como Deus de amor
Enfim se percebe que nasce de novo,
Que não mais importa tudo que passou,
Que é envolvente a paz que te domina.
Temerás então deixar Sua palavra,
Te recolherás aos braços do Pastor,
E esquecerás que um dia foste nada,
E hoje és para sempre alvo do Seu amor.

Marco di Silvanni

Via http://portodopoente.blogspot.com/

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Dois poemas de Florbela Ribeiro

Alma azul

Refresco a minha alma
No silêncio calmo
Do entardecer perfumado
E enfeito-a com
Pinceladas de azul
E andorinhas de papel.
Enquanto Tu
Que do alto me miras
E olhas por mim,
Vens e restauras
Suavemente
Aquela doce paz
Que por breves instantes
Me abandonou.


Indagar

Não estou presente
Nem ausente
Apenas quieta
Para indagar a voz
Que ecoa por entre
Os silêncios.
E assim perceber
Claramente
O que Ele
Pretende de mim.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

ECCE POIEMA

Anunciação do anjo a Zacarias (ícone russo)


"Mas como não acreditaste no que te disse, vais ficar mudo, sem poder falar, até ao dia em que isso acontecer, pois tudo se realizará no tempo devido.”
Evangelho de Lucas 1:20 (versão A Bíblia para todos, p. 2044)


Para mãos que trabalham
sem uma língua treinada
o silêncio pode ser de ouro
ou de chumbo maciço

Porém, esse silêncio ainda fala
ainda está cheio de poemas, cânticos
confessa apreensões ou revela sonhos
da dentro da linfa, das cavidades do osso

Voz que duvida, que fala do que não sabe
que com as mãos se queda a queimar incenso
a vigiar que a chama da menorah perene arda
a oferecer os pães

que escreve febril o que o silêncio apenas sussurr
ao que a voz na laringe emudece

Que te diz e conta, Zacarias, a voz que te secou?
Voz que guarda e
burila a sabedoria
que decanta os segredos
confiados pelo anjo do Senhor
esculpidos no ventre da tua mulher
afinados em outra voz, a que clamará no deserto

Mas quanto melhor
não é,
como numa salva de prata uma maçã de ouro servida
é a voz irrompendo
finalmente instruída e madura
que fala
e canta os altos louvores do Senhor!

22/10/09

Originalmente publicado em Papéis na gaveta, por gentileza do poeta J. T. Parreira

Pois os céus são os céus do Senhor

Obra de Beatriz Milhazes, fotografada no Museu
de Arte Contemporânea de Niterói - Uso liberado

Mais imagens livres em


deito-me do alto da serpente,
qual quem tange a cítara do sol
dedilho as sensações
da queda

entôo salmos, em alumbramento
finco minhas mãos
à Mão da Rocha

caio célere olhos destros centrados
nos sinistros e furibundos olhos da sErpeNtE
que os atém ao alto, amaldiçoando
em língua bífida
o milagre que me permite
à morte em seu dorso

d e b a n d a r

olha o céu que a esmigalha por dentro
odiosa desta sutil estranha maravilha
que me faz cair para cima

ao longe vejo O Calcanhar
ainda pisar-lhe a cabeça,
eu municiado com o sorriso em
lâminas de luzes
que Cristo plantou em meu rosto,


rosa voltaica que a horroriza.


Sammis Reachers

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

CONVITE

Contudo não quereis vir a mim para terdes vida (João 5.39)

Francisco Luiz Flor dos Santos
Com Vida.
Valdélia Pereira dos Santos
Com Vida.
Francisco Luiz Flor dos Santos Junior
Com Vida.
Luiz Marcos Flor dos Santos
Com Vida.
Luiz Miguel Flor dos Santos
Com Vida.
Joaquim José Vieira
Com Vida.
Lourdes Vieira
Com Vida.
Jesus de Nazaré Salvador do mundo
Convida: Não quereis vir a mim para
Terdes vida?

Autoria: Luiz Flor dos Santos, pastor na cidade de São Gonçalo do Amarante, Ceará na Igreja Batista Fundamentalista Cristo é Vida.

CONHEÇA OS BLOGS DO PASTOR LUIZ FLOR:
www.pulpito.blog.terra.com.br
www.poesiadegraca.blogspot.com

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Olhar os lírios do campo


Aqui nos lírios do campo
e quanto campo, ondula
o vento às cores, um mar
inquieto, um mar
dentro da terra

De cá para lá, vai vem
de caules e corolas

Aqui estarão meus olhos
lavrando
como um barco.


J.T.Parreira

domingo, 18 de outubro de 2009

FERIDA


FERIDA

“Espera-O uma coroa de espinhos
Para secar o sangue sobre a fronte, espera-o
a fome de um chicote
que as costas lhe há-de devorar”
J. T. Parreira, “No Jardim do Gêtsemani”

A fome batia uma litania
vai e vem sobre o dorso como tambor

O látego batia em sintonia
com a contagem ritmada
da voz do decurião
uma, duas, três, até quarenta
e com os gritos
de dor do condenado

E latejava as nossas cabeças
dentro de cada dentada das fauces
do chicote estampido vai e vem

Acirrámos os dentes
em aprovação do castigo
e dos gritos do condenado
as costas devoradas
as gotas de sangue salientes
eram o nosso prazer e satírico canto

Mas não deixávamos de pensar
que a obra do carrasco
devia ficar na discrição
recôndita duma caserna romana
longe da vista e do coração
e ensaiámos apartar o olhar
desviá-lo do esbatimento do seu rosto
em busca da geometria da dança
de um bando de pássaros que por ali voasse
ou admirar as coríntias colunatas do pátio
onde decorria o evento

Mais tarde esperava-o uma coroa
sobre a cabeça de espinhos
para o sangue na fronte lhe secar

E escorria das nossas cabeças

E depois ainda
esperava-o ser fixado na cruz
poucos de nós ficaram para ver
preferimos meter-nos pelas cruzes das ruas
pés apressados para o recolhimento e a piedade
pois esperava-nos a Peschah em casa
ao lume do assado do cordeiro,
o único a quem hoje se devia secar o sangue

Mas o vai e vem do flagelo batia em nós
e a voz de comando do decurião e os gritos de dor
o sangue porfiava em correr de nós
como mulheres nos dias da impureza
os panos não o estancavam
banhámo-nos mas a água
solidária tingia-se de escarlate

O chicote a coroa a voz do decurião e o sangue éramos nós
o que tínhamos nós com esse contumaz blasfemo
de rosto deformado condenado?

Caímos no chão

Éramos nós os condenados
de costas devoradas e frontes sangradas
à beira do vale onde a morte se dissimula de sombra

Por fim acordámos

Esse sangue
penetrava-nos até aos corações
e corria agora neles
lavados

Rui Miguel Duarte 17/10/09

originalmente publicado em Papéis na gaveta

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Silêncio

Feche os olhos.
Tente ouvir a voz,
voz do silêncio.

Silêncio.
Ele fala mais,
muito mais
que qualquer som,
que qualquer música.

Silêncio.
Voz de Deus,
do coração dele,
para a nossa alma.

Poema integrante do livro Caixa de Versos de Giovanni Campagnuci Alecrim de Araújo, edição do autor, São Paulo,SP: 2009

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

PASSOS


Provérbios 20:24 “os passos do homem são dirigidos pelo Senhor; o homem, pois, como entenderá o seu caminho?”

nem sempre sou confortado pela vara e pelo cajado
olho em redor
em vão
não estás.

o pastor toca com a vara e empurra a ovelha
gentilmente
na direcção que ele requer
assim me guias ou guiavas,
ou pensava que me guiavas
mas deixei de ver
a brilhar nas sombras
ou descansando sob uma árvore
enquanto eu me regalava no verde

mas o pastor nem sempre está
as nuvens negras cobrem-no
com o aguaceiro e a trovoada
certamente não virá
a buscar a ovelha perdida
e só

a apreensão engole-me
com dentes e uivo de lobo

até que me lembrei de algo que li:
entenderá o homem o seu caminho?
é o Senhor quem dirige os seus passos
mesmo na ignorância do homem

eis que o pastor
contra a mente turvada da ovelha
dispôs no chão uns marcos umas pedrinhas

regularmente
numa certa direcção
como as contas do colar de Ariadne
ensinam os passos à ovelha
para a liberdade do labirinto
e do vale da sombra do Minotauro

Rui Miguel Duarte
Herserange 13/10/09
publicado igualmente em A Ovelha Perdida e Neaktisis
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