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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

SALMO 150 PARA ORQUESTRA


São os dedos que louvam, procuram entre as cordas
A linha que separa o céu e a terra, um fio
De água pura que sai do sopro nas flautas.

Daí-me uma harpa doce e com ela sararei
Os ouvidos nas paredes do templo,
Um dulcimer cristalino 

Que na subtileza do som é um castelo forte, 
Para afastar os inimigos que minam a alma.
Daí-me o brilho dos olhos dos irmãos

Quando ungem os seus lábios num cântico.
Daí-me címbalos retumbantes 
Com eles racharei os muros do silêncio.


29-05-2015
© João Tomaz Parreira 

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

PASTORAL



O bom pastor discerne as minhas pegadas de outras pegadas
Perante o modo como me julga, pouca importa
O tamanho do Oceano Atlântico ou dos Mares do sul
Com suavidade e a dureza
Dos seus ombros, vem ter comigo
Quando alguma coisa me empurra para baixo
Ou quando o medo cresce nas sombras, são suficientes
Os seus olhos sobre mim, são a arquitrave
Que suporta o peso do céu de um dia pleno de sol
Ou de tempestade.

26-01-2015
© João Tomaz Parreira

sábado, 3 de maio de 2014

EPODO AO SALMO 139

a J. T. Parreira, com amizade, solidariedade poética e votos de saúde


Alguém lá em cima gosta de mim
alguém lá em cima tem colo de ouro
e braços de estrelas
para os meus cansaços

posso estar no chão e os meus pés
pisarem os céus e os ínferos dos mortos
pode não sobrar de mim mais do que
a voz que grita a ocidente e a oriente
e Alguém aí está e gosta de mim

posso não ter mais do que algas podres
em vez de mãos um seixo túrgido
em vez de uma canção que se atira
contra os tremores de ventos e marés

que claro e imperceptível é
que, ao mostrar-se treva luz,
Alguém gosta de mim

Rui Miguel Duarte

03/05/14

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

UM SALMO 23 DO SUL



Para a minha Mãe ( Sousel /Alto Alentejo, 3/12/1922 - )



Mesmo aqui na imensa fragrância da cor
amarelo-laranja


O Senhor é o meu pastor, rodeia-me
de felizes papoilas e do odor

A estrume fresco, e só o assobio do vento
sobre as águas cálidas já me dessedenta

Transbordam-me dos olhos as distâncias
enche-me da sua presença

O arco das minhas costas, levíssimo
com o seu olhar sobre mim

Não me persegue a surpresa da morte
durmo sob a minha sombra, num alto monte.

3/12/2013
© João Tomaz Parreira

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

SALMO 2(01)3

Há sempre palavras
rápidas pássaros rubros
no dorso da lã que nos dizem
nos intervalos da passagem de ano
no transbordo para águas
à beira do descanso

que o Senhor nosso pastor
baixa atrás de nós a vara
e diante de nós o seu cajado
palavras que rasgam
aquém do limiar prados verdejantes
que os nossos passos banham para além

palavras de duas caras, uma que se fecha
outra que se abre sempre fresca
e opulenta de vinho azeite e mel

Rui Miguel Duarte
1/01/13

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

SALMO 130



Como do fundo de fossas oceânicas
clamo-te, ó Deus, a minha voz
sobe à superfície do fundo das regiões 
do desespero
Sei que Tu, Senhor, não guardas na memória
os meus pecados
nas tuas mãos teces o linho
que me veste de perdão
a minha alma fia o tempo
qual Penélope desfazendo os dias
pelo amado e espera
mais do que a sentinela com os olhos
molhados pela aurora.


(de "Falando Entre Vós com Salmos -Cânticos Peregrinos 120-134" )
 
© J.T.Parreira

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Novo livro de J.T.Parreira: Quando eu era menino lia o Salmo oitavo


A poesia de J.T.Parreira é poesia maior. É poesia que, ao ser lida, inevitavelmente produz a libertadora (e infelizmente rara) sensação de uma lufada de ar que nos eleva e, de roldão, transmigra-nos de nosso dia-a-dia corrido e muitas vezes repleto de sensaboria, para a dimensão poiética, de enlevo, fascinação e gozo auferidos pelas palavras  ao serem laboriosamente re-alinhadas para que ofereçam o seu melhor.

Nesses 29 poemas, escritos entre fins de 2011 e início de 2012, o vate português dá provas de seu dom de ampliar, ou melhor dito, alar as palavras, trabalhando os temas bíblicos, reafirmando poeticamente sua transcendência divina, ao re-capturar e re-vestir o que eu chamaria de seu élan  (ímpeto, vigor) devocional, como no poema que inspira o título do livro (O Salmo VIII), ou neste Pró Salmo 121:

Elevo os meus olhos para os montes
e há um monte deles
mesmo em frente,  quando caminho
no cimo dos montes as Tuas mãos
fazem o resguardo do abismo
a minha fadiga é soletrada nas palavras
com que peço socorro, o meu olhar
por isso se alonga, outras vezes
vou mais depressa
pareço um adolescente a distender as pernas
e corro sem temer o sol
nem os mistérios da lua.
Sou tão pouco perante os montes
mas eles ficam para trás e não são
mais do que poeira amontoada.

Como editor, me regozijo em oferecer aos leitores mais este volume, pequenina cornucópia de pérolas - a serem degustadas com os olhos da alma. E singela amostragem do melhor da poesia evangélica produzida atualmente em nossa língua.

Sammis Reachers

Para baixar o livro, clique AQUI.
Para ler online, clique AQUI.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Salmo 16

Não há bem maior
que o meu Senhor.
Não há futuro melhor
que o meu Senhor.
Não há conselho melhor
que o meu Senhor.
Não há segurança maior
que o meu Senhor.
Tu, ó Deus, és minha alegria,
meu futuro, meu presente,
minha eterna companhia.
Tu, ó Deus, és a presença tão terna,
a plenitude da alegria,
a felicidade eterna.

domingo, 29 de agosto de 2010

A História se Repete

(SALMO 84)
O pardal encontrou casa
A andorinha ninho
O salmista e EU os altares do Senhor
Onde mais vale passar um dia
Que mil em qualquer outro lugar

Pr.Luiz Flor dos Santos
http://pulpito.blog.terra.com.br/

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Uma Habitação no Exílio

Sentados sobre mais de um milhão de metros
cúbicos de lágrimas
vendo passar Babilónia reflectida
uma ilusão nas águas
passavam largas horas com a memória
em Sião
com a saudade em risco de se perder
largas horas olhando o silêncio
pendurado nos salgueiros
Ouviam a solidão dos que pediam
que entoassem as canções
do Senhor em terra estranha
como uma água sem fonte
e desolada.

J.T.Parreira

quinta-feira, 19 de março de 2009

Saudade, Op. 137, Salmo de João Tomaz Parreira

Alguém nos exilou as liras.
Junto aos canais da Babilónia
trazia o vento familiares
cheiros do país fechado.

Pediam que fossemos ao fundo
dos objectos mais queridos
desarrumar a alegria,
aqueles que nos tinham oprimido
dos nossos soluços queriam
que o cântico de Sião
fosse inventado.

Mas alguém exilou as nossas harpas
desiludidas nos salgueiros,
como tirar das coisas deste mundo
um cântico ao Senhor?

Só o vento se inclinava
sobre as liras penduradas.



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