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quarta-feira, 19 de junho de 2013

Anseios da alma


por George Gonsalves

Preciso do amor que
cure a dor
vença o torpor  
e afaste o rancor

Necessito da graça que
restaura o coração ferido
o espírito abatido
e a lembrança dolorida

Anseio pela fé que
vê o invisível
toca o eterno
e ouve o sussurro divino

Suspiro pela esperança, oh doce esperança,
que enxerga nas densas trevas
canta em meio a chamas
e sorri para a morte

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Fiat Gratia

 Daqui do quintal
Sem Tua graça
Não há amanhecer

Todos seríamos findos
Ao fim do dia

Tenho um nome
Para Ti, Esplendor

Tu és o Deus das Alvoradas

Sammis Reachers

sábado, 12 de junho de 2010

Sobre a morte e a vida eterna

4

É definitivamente a morte
este encontro comigo mesmo,
onde me não mais fugirei
e conviverei comigo mesmo
na sepultura?

Eu a sinto tão pungente
ao meu lado,
tão forte quanto a própria vida.

A circundar-me os segundos,
a passear comigo pelos parques,
pelas calçadas, pelas esquinas...

Quanto te beijo é morte que sorvo.
Teu beijo é vida que me prepara à morte.
Teu sorriso, teu olhar...

Dissabores, perplexidades
venturas e amarguras
que me urdem teia perecível...

Por isso vago indeciso
sem saber se ao final de contas
me valerá o que houver construído,
se inesperadamente surpreendido
na vida por uma morte geral...

(Sim, pois morrer morro sempre, dia a dia:
morro desejos, morro formas,
cabelos e unhas.
Morrem-me lembranças,
me morrem venturas.

Me morre teu cheiro nas narinas —
Ai! este cheiro que eu não queria esquecer...

[E vou todo morrendo tanto em coisas tantas
que ‘inda me resta saber o que me resta morrer!]

Pois o teu cheiro era o cheiro da fumaça no vento
era o aroma capitoso de meus frascos
e até das árvores incumbentes
tinha uma nota de coração...

E enquanto o retive em minhas narinas
tu estavas em tudo o que exalava.)

Falo, porém, da ruptura, a morte geral,
peremptória e imprescindível...

Quero ter então a alma
intocável
intimerata
indevassada
intimorata,
para que a morte
me não surpreenda
de todo morto.

Apresentarei minh’alma
salva por Outro
como garantia
de que bem vivi.

Pois meu zelo, meu esforço
minha obra
apodreceu...

De Fabiano Medeiros (1988)

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Sobre o legalismo

Autossalvação

É imoral o mais moral dos seres
que um sulco reto e bem traçado
abra para si
com o arado enferrujado
das boas intenções.


De Fabiano Medeiros (2009)

terça-feira, 6 de abril de 2010

Fib-haiku


Simples pertença



teu
eu sou
por sangrento
preço, franco a mim:
não o poderia pagar


De Fabiano Medeiros (2009)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Ele ressuscitou!


Poema de graça

Se me quero conhecer, já aprendi
(ou ao menos deveria),
que mais a Ti conheça,
submisso à luz da tua Revelação,
por ela decomposto e reconstruído,
abatido e reerguido,
sentenciado e absolvido,
morto e revivido.

O Verbo que proferes me revela quem sou
e me (re)define,
trazendo luz brilhante e perspectiva precisa,
cortante análise que me deixa sem fala
e me esquadrinha até os ossos.

Mas não é exatamente o que escolho
e prefiro decantar a cada instante,
quando fecho os olhos
para quanto em mim te repele
e prossigo amando o conforto
vago e casual da rebeldia,
aquele punho cerrado da alma
que grita glória a tudo que em mim
respira e pulsa,
glória a minha lei e passe livre
a minha vontade,
salvo-conduto a minha crença vã
na auto-estima,
na justiça própria, na autodependência,
na busca insaciável do prazer pessoal,
na independência arrogante e acintosa
que grita a vitória e a liberdade em relação a ti.

A cada dia…
enquanto tuas misericórdias
se vão renovando a meu favor,
bem diante dos meus olhos…
com a clareza límpida
do mais cristalino ribeiro!

Quero todos os dias fazer de conta que
não te encontrei na estrada da vida,
que tua luz, que foi a meu encontro
e me lançou por terra,
quando eu andava tateando meus limites trôpegos,
não passou de um sonho alucinado,
do qual quero ainda acordar
para um reinado só meu,
no aconchego das minhas trevas.

Pois esqueço sempre quem sou e
quão efêmeros e fugazes meus caminhos,
esqueço sempre que qualquer
sonho mais lindo que eu sonhe ou alimente
não passará de utópica quimera…
mera alucinação,
se à parte dos teus sábios
decretos sempiternos.

E esqueço da Cruz, lugar único de
onde flui justiça e propiciação,
amor e graça,
reconciliação e piedade,
regeneração e humildade,
vida nova e vida eterna,
perspectiva e gratidão.

Gratidão que nem sempre alimento,
e que poderia me transformar
pela força do amor,
ao contemplar que árduo e longo caminho trilhaste por mim…
não só apesar mas também por causa de mim…
Dá que eu volte os olhos à cruz,
não esqueça quem sou e,
mais importante, quem és,
nem gaste meu tempo urdindo a teia
da minha religião furada,
antes te tenha por alicerce único e malha
exclusiva da vida aqui e no porvir.

Em outras palavras, enche meu peito
de paixão por ti e por tua glória,
e dá-me a lucidez que brota
das boas-novas da cruz,
uma lucidez que apruma
o meu mundo e lhe dá o sentido.

E eu seguirei tendo de ser relembrado.
Aliás, como te posso agradecer
por me relembrares hoje mais uma vez?
E por amanhã já teres determinado
teus novos meios de me
centrar em ti, na obra da cruz e
na esperança do evangelho?

Fabiano Medeiros (2006,em Gilbert, AZ)

segunda-feira, 29 de março de 2010

Sobre a brevidade da vida: simbolista


Brevidade

Brancas cãs brotadas bravias
brindam, bradam, bracejam à brisa.
Brancas lãs bromadas brevias.

Broncos braços brunos de afã
brigam, bramam, brandeiam a brita.
Troncos crassos, brutos de chã.

Pernas hibernas ineternas

Lábios fábios: ressábios

E vejo a vaga vida volúbil volcada
voejar volátil: vislumbre inveraz
de venturas e inverdades,
solavancos e resvalos.

Resta recostar-me rente à relva
rezando retalhado rezas ressequidas
renhidas rezas remendadas reencontradas
do fundo mudo de meu mundo
prestes a escafeder-se,
escoar-se,
escamugir

Esvai-se a vida falaz,
e o resto presto se desfaz.

Brancas cãs bravias.
Brevias lãs brandas.
Austera presença
à espera da Paz.


De Fabiano Medeiros (1988)

segunda-feira, 22 de março de 2010

Sobre a eleição: um rondel


Rondel da eleição

Ah, eu jamais me teria escolhido!
É assim que eu sei: me elegeu.
Ignóbil verme, torpe e falido,
nada exagera este mal que é só meu.

Nobre Rei, pobre, frágil e ferido,
tudo desmaia ante o amor que é só seu.
Ah, eu jamais me teria escolhido!
É assim que eu sei: me elegeu.

Afirmo com Watts: “Sou verme bandido!”.
Cego e perdido de Newton? “Sou eu!”
E justo este estado triste, caído
prova gratuita esta graça que deu.
Ah, eu jamais me teria escolhido!

De Fabiano Medeiros (2010)

segunda-feira, 15 de março de 2010

Sobre a regeneração: um indriso


Indriso do novo homem

Regenerar: ação incontida do Vento
para uma gênese nova, do caos,
carrega em si a semente, a resposta, o alento,

faz nascer justos de homens tãos maus.
O que no santo germina e respira é o intento
do Espírito que propulsa as naus.

Para o mito do homem que se faz: Advento!

Para o Ator dessa obra: festas, fogos, saraus!

De Fabiano Medeiros (2010)

segunda-feira, 1 de março de 2010

Santificação pela graça: um "fib-haiku"


Santificadora

Graça
cara
estranha
que de graça
faz-se trilho certo
em que encarrilo sem cansar

De Fabiano Medeiros (2009)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

terça-feira, 24 de março de 2009

UMA ORAÇÃO DE COMPROMISSO E GRATIDÃO

BENDIZE, ó minha alma, ao SENHOR, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome. Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios. Ele é o que perdoa todas as tuas iniqüidades, que sara todas as tuas enfermidades. Que redime a tua vida da perdição; que te coroa de benignidade e de misericórdia. Que farta a tua boca de bens, de sorte que a tua mocidade se renova como a da águia. O SENHOR faz justiça e juízo a todos os oprimidos. Não reprovará perpetuamente, nem para sempre reterá a sua ira. Não nos tratou segundo os nossos pecados, nem nos recompensou segundo as nossas iniqüidades. Pois assim como o céu está elevado acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem. Assim como está longe o oriente do ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões. Assim como um pai se compadece de seus filhos, assim o SENHOR se compadece daqueles que o temem.
(Salmo 103.1-6, 10-13)




Senhor, agora sou Teu totalmente.
Desdenhei Teu amor loucamente.
Estive vagueando perdidamente.
Permiti cegarem-me voluntariamente.

Senhor, me salvaste bondosamente.
Tua Palavra me instrui diariamente.
Teus anjos me guardam cuidadosamente.
O Espírito Santo me ilumina constantemente.

Meu pecado me assedia persistentemente.
Senhor, muitas vezes vacilo, infelizmente.
Confesso meu pecado e me ouves atentamente.
Por Teu sangue me purificas completamente.

Senhor me concedes vitórias contundentes.
E me guardas do mal poderosamente.
Me dispensas cuidado amorosamente.
Por isso quero louvar-te eternamente.

Senhor:
Obrigado por tudo, sinceramente.
Permita louvar teus feitos publicamente.
Anunciar Tuas Novas ardentemente.
Ser um servo que vive para Ti fervorosamente.

Obrigado, Senhor por me tratares Amorosamente.
Por tudo o que tens feito e pelo que és é o que
Posso dizer-te humildemente. Tu que conheces
Alma sabes que para Ti meu coração não mente.

Autoria: Luiz Flor dos Santos, pastor na cidade de São Gonçalo do Amarante, Ceará na Igreja Batista Fundamentalista Cristo é Vida.


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(Recanto da Alma) luizflor.wordpress.com

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