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quarta-feira, 22 de junho de 2011

Carta aos Derrotados


Aos derrotados de todas as idades, tempos e lugares:
Jesus já venceu por nós

Aos que escrevem poemas de amor
na língua morta
de um país que já não existe:
Continuemos Poesia contra os muros,
Jesus já venceu por nós

Aos mutilados e deixados pra morrer
em Waterloo e Stalingrado,
Roraima e São Paulo, na próxima esquina,
nos porões das (in)direitas ditaduras
ou nas sibérias comunistas,
no miolo efervescente da multidão
ou nos últimos últimos últimos bancos
das Igrejas:
Olhemos para o alto,
Jesus já venceu por nós

Aos apunhalados enquanto dormiam
por um dos cem milhões
de Judas que Satanás
comissionou e infiltrou
nos mais improváveis meios, famílias e lugares:
Perdoemos,
Jesus já venceu por nós

Aos que sempre ou apenas
numa única hora errada
(apenas)
deram as costas:
Ele é o nosso Grande Perdão
pois Filho do único Onibenevolente;
Jesus já venceu por nós

Aos que nas malfadadas todas
as tantas e tantas e tantas vezes
roubaram e estupraram,
mentiram e abusaram,
traíram e assassinaram;
àqueles e àquelas prostituídos e travestidos,
aos viciados em substâncias, jogos ou pessoas,
aos cães de todas as estirpes,
aos extirpados, a todo aquele
que habita e palmeia
o fundo frio do poço:
Arrependamo-nos, arrependamo-nos, arrependamo-nos
e creiamos:

Em Cristo Jesus somos mais que vencedores.

Sammis Reachers
(texto e imagem)

sábado, 7 de agosto de 2010

Desabafo

Certeza

1

De novo me vejo
recorrido à luta renhida
que travo com este branco infinito,
cruento branco,
que me atenua indescritível,
que suporta e não sei como
este peso obscuro
e enegrecido,
disfarçado de azul.
Sabe ele e só ele o sabe -
a pungência desta pena
de densa levez.

E quando não
do choro
de lágrimas
decomponentes e ácidas,
quando do pranto
intrínseco à vida que carrego,
e quando do gemer,
o desabafo,
o eterno desconsolo
de sempre ter
de novamente chorar.

O que li e o que me contaram
se desfez
e se condessou
no mais profundo
esconso d'alma;
ficou ali no mais exíguo
de todos os espaços,
aonde não tenho
nem quero ter acesso:
pois cansei
de sempre acreditar,
pois abominei
os sonhos
e o modo sutil
com que todos se destroem,
com que caminham
a um fim
nunca desejado.

De Fabiano Medeiros (1988)

terça-feira, 15 de junho de 2010

Teologia de um pecador

Eu, filho do adultério e da transgressão,
Esparro coadjuvante de meus pais,
Sofro, desde a protogênese destes ais,
Da natureza pecaminosa, o coração!

Já dizia o sábio pai da Igreja de Cristo:
Que a natureza humana se fez em queda,
A alma vendendo por qualquer moeda.
E Deus, ali na cruz, sofrendo mais que isto!

Não quero, a este mundo vil, mais pertencer,
Se as dores do pecado ainda tiver que sofrer
Entre a carne e o espírito, declararei guerra.

Assim, hei de em luta ingente, uma batalha,
O pecado envolver bem preso na mortalha
E para Deus viver, como salvo nesta Terra.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Sobre a brevidade da vida: simbolista


Brevidade

Brancas cãs brotadas bravias
brindam, bradam, bracejam à brisa.
Brancas lãs bromadas brevias.

Broncos braços brunos de afã
brigam, bramam, brandeiam a brita.
Troncos crassos, brutos de chã.

Pernas hibernas ineternas

Lábios fábios: ressábios

E vejo a vaga vida volúbil volcada
voejar volátil: vislumbre inveraz
de venturas e inverdades,
solavancos e resvalos.

Resta recostar-me rente à relva
rezando retalhado rezas ressequidas
renhidas rezas remendadas reencontradas
do fundo mudo de meu mundo
prestes a escafeder-se,
escoar-se,
escamugir

Esvai-se a vida falaz,
e o resto presto se desfaz.

Brancas cãs bravias.
Brevias lãs brandas.
Austera presença
à espera da Paz.


De Fabiano Medeiros (1988)
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