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terça-feira, 20 de março de 2012

Eterno enquanto dure



O tempo passa

Amor, senta
na soleira da porta,
descasca aquela tua laranja.
O tempo vai passar!

Deixa o sol
incidir seus raios.
O cão te lamber os dedos.
O tempo vai passar!

Hoje meu pai passa.
O tempo passou
tão rapidinho,
que eu parece que
perdi aquela
visão de tempo largo,
infindável,
espesso e aconchegante.
E foi tudo num segundo
num piscar
num estalar.
O tempo já passou.

O tempo passa.
Agarra os meninos.
Pendura um ao pescoço.
Se rola pelo chão.
Chuta aquela bola.
Entra no castelo de princesa.
Monta as garagens para
os carrinhos de ferro.
O tempo vai passar.

E a gente que não
segurar esses meninos
logo passa.
Volta a ser menino.
E eles já passaram
a envelhecer.
Porque passa,
passa tudo, passa.
Rapidinho passa.

Só o tempo não envelhece...

De Fabiano Medeiros (2011)

terça-feira, 27 de julho de 2010

Sobre a transcendência


2

A alma tolhida -
constrangeram-na ao silêncio
cada um deles: pecados e lembranças,
insatisfações e incertezas.

Ah! pois que na noite incerta da vida
permeou o negrume,
divagou por entre as trevas,
solta e incônscia,
numa desordem desmedida.
Esvaiu-se ligeira e atormentada,
vestida de sonhos,
impregnada de ilusão.
Desconhecia ser ela o recôndito,
o mais profundo e sagrado
recesso humano,
habitáculo de quem perscruta os corações.

Se te deste a quimeras,
se teus olhos no infinito
não divisam o arrebol...
Se estás amoravelmente preso
ao teu elemento material,
a tudo que te cerca e perece,
sabe que tu'alma secou,
é um braço de rio que deixaste exaurir

É tu'alma eterna e
para sempre tolhida.

De Fabiano Medeiros (1987)
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