Muito pouco tem sido dito
sobre a pedra, uma
fronteira do sepulcro
uma forma densa do não
muito pouco
perante as circunstâncias
se tem dito sobre a pedra
surda e um olho cego no dia
da ressurreição
não se entrava nem saía
dessa pedra, e no entanto
foi uma gota de água
como uma folha branda
um cristal tocado pela imensa
Mão, uma claridade
no primeiro dia da semana.
24/4/2011
Poema inédito de J.T.Parreira
segunda-feira, 25 de abril de 2011
domingo, 24 de abril de 2011
NO PARAÍSO
“no Paraíso, estive à beira de todas as coresquando as manhãs acordaram nos meus olhos”J. T. Parreira, “Expulsão do Paraíso”
Percorridos todos os limiares
e arestas negras, as artérias de granito
em vez da ondulação dos teus cabelos
trocadas as tuas carícias por um grito
culpados de todas as traições
de nos acolhermos ao colo de um pai estranho
extraviados da sabedoria de todas as cores
que falavam das manhãs acordadas de antanho
esquecidos das brisas lentas
das conversas sob as árvores ao fundo
da tarde, restou-nos a sombra do teu vulto
projectada como noite sobre o mundo
Mas na tua carne e no teu sangue
rasgaste para sempre a distância a frio
depusemos então as saudades à soleira da porta
reaprendemos então a alegria da Tua voz de rio
Rui Miguel Duarte
7/10/10
sábado, 23 de abril de 2011
DEVS EX MACHINA
“Jesus exclamou: «Mas que gente esta sem fé e desorientada! Até quando terei que estar convosco? Até quando terei de vos suportar? Tragam-me cá o rapaz.»”
Evangelho segundo Mateus 17:17
Senhor, sabemos que és maior
do que o vento, que voas aonde
as águias não sonham
e que a tua voz deslaça os corações
dos demónios
corta, Senhor, à espada
a cabeça destes malditos
que te desprezam
os corruptos os ricos
vorazes das carnes do pobre
faz justiça aos desvalidos
não te demores Senhor socorro
há aqui uma hemorragia
estanca a este a lepra
clareia a voz àquele
antes que também
os ouvidos se lhe esqueçam de ouvir
pois a tua mão é poderosa
e a nossa é mão
no fim dela há apenas dedos
vem Senhor e levanta-nos daqui
do vale deste sacrifício para o teu Reino
Rui Miguel Duarte
23/04/11
quinta-feira, 21 de abril de 2011
A Lição de Música
Mas quando Davi enviava os sons da harpa
para os céus, a harpa seduzida
pelos seus dedos, um sorriso
assomava ao espírito de Saul
Baixavam os olhos ao coração sanguíneo
via dentro de si o tranquilo
consolo que a música fazia, o bálsamo
das mãos trazendo odores de jardim
Ao mesmo tempo que as pombas
se desprendiam das cordas
assim velava a harpa da Davi.
Inédito de J.T.Parreira
para os céus, a harpa seduzida
pelos seus dedos, um sorriso
assomava ao espírito de Saul
Baixavam os olhos ao coração sanguíneo
via dentro de si o tranquilo
consolo que a música fazia, o bálsamo
das mãos trazendo odores de jardim
Ao mesmo tempo que as pombas
se desprendiam das cordas
assim velava a harpa da Davi.
Inédito de J.T.Parreira
terça-feira, 19 de abril de 2011
SISTEMA FECHADO
Mas Jesus, sem acudir a tais palavras, disse ao chefe da sinagoga: Não temas, crê somente (Marcos 5.36).
Mas Jesus, ouvindo isto, lhe disse: Não temas, crê somente, e ela será salva (Lucas 8.50).
A sociologia
A psicologia
A filosofia
A Psiquiatria
A geografia
A pedagogia
Não sabe fazer milagre
Não sabe repetir milagre
Em seus tubos de ensaios
O cientista
O laboratorista
O geneticista
O ginecologista
O oncologista
Não sabe fazer milagre
Não sabe repetir milagre
Em seus tubos de ensaio
O Marxista
O comunista
O capitalista
O socialista
O utopista
O fascista
O anarquista
Não sabe fazer milagre
Não sabe repetir milagre
Em seus tubos de ensaios
Logo, concluem os tais: NÃO HÁ MILAGRE.
Que mundo triste os dos DETERMINISTAS.
Luiz Flor dos Santos
Mas Jesus, ouvindo isto, lhe disse: Não temas, crê somente, e ela será salva (Lucas 8.50).
A sociologia
A psicologia
A filosofia
A Psiquiatria
A geografia
A pedagogia
Não sabe fazer milagre
Não sabe repetir milagre
Em seus tubos de ensaios
O cientista
O laboratorista
O geneticista
O ginecologista
O oncologista
Não sabe fazer milagre
Não sabe repetir milagre
Em seus tubos de ensaio
O Marxista
O comunista
O capitalista
O socialista
O utopista
O fascista
O anarquista
Não sabe fazer milagre
Não sabe repetir milagre
Em seus tubos de ensaios
Logo, concluem os tais: NÃO HÁ MILAGRE.
Que mundo triste os dos DETERMINISTAS.
Luiz Flor dos Santos
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Almofada
De dia subimos os nossos montes
cada distância mais longe
depois de deitada a nossa cabeça
num novelo de nuvens
por dentro e por fora
um sonho bordado.
16/4/2011
J.T.Parreira
domingo, 17 de abril de 2011
CINZAS
não há cinzas que bastem
para lá da chuva
para obscurecer sobre os oceanos a respiração dos peixes
não há montanhas ainda
que as nuvens
parem, o vento sempre passa
e se move e toca com plumas
a terra e descansa-nos os pés
as cinzas existem
só na penumbra dos olhos
não têm mãos
para nos diluírem nos ares
nas há cinzas na tua Face
de brancura nem na tua Palavra
só esta nos basta
para lá da chuva
por dentro do mundo
Rui Miguel Duarte
17/04/11
sábado, 16 de abril de 2011
NOVO SALMO 91
As poeiras não entram
na casa do Altíssimo
todas as gangrenas e infecções
podem incrustar-se no espaço ou
partir-se nas pedras
eu é que não as temo as setas as pragas
que espreitam à entrada da noite
abro os olhos e o que vejo?
a arma do caçador furtivo virou-se
contra a própria mão que acciona o gatilho
marcho por entre as colunas rígidas
de exércitos empedernidos
que se estilhaçam um por um
os meus joelhos não se quebram
e os meus pés marcham
e pisam indolor um chão
de inimigos
esquivam-se fogem os medos
dos que me odeiam
e ao alto de um monte
sou transportado onde
sobre a minha cabeça
pousa como asas o sol do Senhor
Rui Miguel Duarte
12/04/11
12/04/11
VIÚVA DE SAREPTA
quando o meu marido
ao pó se uniu
a minha cabeça perdeu o véu
nem é meu este chão
para cavar a minha sepultura
só tenho este filho
um pão o derradeiro
para adormecer a morte
só esta temos
até a voz me deixou
com o vento do deserto
mas outra voz
a do profeta
me pede que da nossa fome
mate a sua fome
então o Senhor seu Deus
perpetuamente acrescentou
à minha mesa
o sol
Rui Miguel Duarte
14/04/11
domingo, 10 de abril de 2011
OS RIOS
Passam-nos por sob as bocas
os rios passam incólumes
e lá pousam as águas
onde deixámos os olhos
presos nas curvas dos cabelos
e das coxas da amada
neles buscamos a paz
que os vales cavaram
buscamos a paz
que se entregou ao enlace
dos pensamentos trementes
nas centelhas de luz à superfície
dando à luz o sol
cavalos de pele lisa
são as águas dos rios
afago nas bocas que queriam dizê-los
e ampliá-los em verbos e nomes
mas o que há neles são águas
quando os nossos olhos as tocam
e os lábios delas são magoados
é o corpo e a alma todos que nelas
nadam e passam e permanecem
inocentes
Rui Miguel Duarte
9/04/11
os rios passam incólumes
e lá pousam as águas
onde deixámos os olhos
presos nas curvas dos cabelos
e das coxas da amada
neles buscamos a paz
que os vales cavaram
buscamos a paz
que se entregou ao enlace
dos pensamentos trementes
nas centelhas de luz à superfície
dando à luz o sol
cavalos de pele lisa
são as águas dos rios
afago nas bocas que queriam dizê-los
e ampliá-los em verbos e nomes
mas o que há neles são águas
quando os nossos olhos as tocam
e os lábios delas são magoados
é o corpo e a alma todos que nelas
nadam e passam e permanecem
inocentes
Rui Miguel Duarte
9/04/11
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Com as palavras
Com as palavras
faço acrobacias imediatas,
de olhar fixo no céu firmo
os meus pés, sobre o ar.
Florbela Ribeiro ®
faço acrobacias imediatas,
de olhar fixo no céu firmo
os meus pés, sobre o ar.
Florbela Ribeiro ®
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Se me tirar os Olhos
Se me tirar os olhos, não ficarei
no entardecer
nem me perderei no caminho
com os meus dedos irei
sob o fogo azul do sol
tocar ainda os rostos que conheço
Se me tirar os olhos
poderei sonhar para dentro
tal como a água terna das lágrimas
começa antes no fundo inominável
Se me tirar os olhos
todas as coisas
serão cores que ouvirei
nos sons que conheço, um neto
afundando a cabeça no meu peito
será uma canção
entre um pássaro e outro pássaro
sentirei o vento do seu voo
e assim o que agora não vejo
em todas as coisas tornar-se-á claro.
6/04/2011
Inédito de J.T.Parreira
no entardecer
nem me perderei no caminho
com os meus dedos irei
sob o fogo azul do sol
tocar ainda os rostos que conheço
Se me tirar os olhos
poderei sonhar para dentro
tal como a água terna das lágrimas
começa antes no fundo inominável
Se me tirar os olhos
todas as coisas
serão cores que ouvirei
nos sons que conheço, um neto
afundando a cabeça no meu peito
será uma canção
entre um pássaro e outro pássaro
sentirei o vento do seu voo
e assim o que agora não vejo
em todas as coisas tornar-se-á claro.
6/04/2011
Inédito de J.T.Parreira
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